29/12/2018 - 21h26

PT: uma derrota anunciada (parte I)

Por Flávio Lúcio

A vitória de Jair Bolsonaro representa mais que um retrocesso para a democracia brasileira e para o avanço dos direitos civis e sociais que o Brasil acumulou nas últimas décadas, sobretudo ao longo dos últimos 12 anos de governos petistas.

Mais do que isso, trata-se de uma uma histórica que abrirá caminho para que um pesado golpe seja desfechado sobre nossa soberania, o que aprofundará ainda mais a  nossa dependência com a entrega das nossas riquezas às grandes empresas estrangeiras, passo que será de muito difícil reversão no futuro.

Parte da mesma estratégia, assistiremos à consolidação de um modelo econômico financista cujo corolário será a destruição das bases do Estado nacional e da capacidade brasileira de promover um desenvolvimento que privilegie o mercado interno, o emprego e a distribuição de renda, programa que Michel Temer, com sua “ponte para o futuro”, tenazmente colocou em prática ao limitar, por medida constitucional, o gasto público por 20 anos, a entrega do Pré-Sal às petroleiras estrangeiras, e reformas como a trabalhista, entre outras ações que não constavam no programa com o qual foi eleito na chapa de Dilma Rousseff.

Mas, Temer não conseguiu completar sua obra maligna. Essa missão agora estará nas mãos de Bolsonaro e não foi por outro motivo que o tal “mercado” (o nome com que a mídia se refere aos banqueiros e todo tipo de especuladores) comemorou a vitória do capitão, que reúne agora as condições que faltavam a Temer para levar à frente esse projeto: a legitimidade do voto de mais de 57 milhões de brasileiros.

Daí porque 2018 não poderia ter sido encarada como mais uma eleição porque desde o início ficou claro que a banca não aceitaria retroceder nessa agenda com uma derrota em 2018. Em 2014, o pacto político que o PT no governo conseguiu construir e manter, mesmo que de maneira precária ao longo de 12 anos, já havia desmoronado sem que Lula tivesse se dado conta ainda.

Prova disso foi o esforço feito por Dilma, com a anuência de Lula, de insistir na reconstrução desse pacto, fato demonstrado pelos acenos mais do que explícitos − e infrutíferos − feitos ao mercado  financeiro logo após a posse, como os mais de R$ 80 bilhões de cortes feitos por Joaquim Levy, o homem do Bradesco que passou a comandar a economia, ação que apenas serviu de combustível para o estabelecimento da violenta crise que veio em seguida e que acabou sendo determinante para a queda de Dilma um ano e meio depois de ter tomado posse para o segundo mandato.

Depois do impeachment, seguiram-se os resultados eleitorais desastrosos para o PT na eleição de 2016, onde o partido perdeu 60% das prefeituras conquistadas em 2012 (de 638 prefeitos eleitos em 2012, o PT perdeu 375 elegendo apenas 263 prefeitos em 2016), fato só explicado por um fenômeno político, restrito até então aos mais ricos e à classe média, mas que começou a penetrar fortemente em meio aos assalariados dos grandes centros, como 2014 já começara a demonstrar.

No ano seguinte, em julho, seguindo o script já mais do que anunciado, Sérgio Moro condenou Lula e abriu caminho para a sua inelegibilidade, o que de fato aconteceu seis meses depois, em um  tempo recorde  Lula estava fora da disputa de 2018.

E a arapuca estava montada para o PT.

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