03/01/2019 - 09h44

Daniela Ribeiro e o vácuo na oposição da Paraíba

Por Flávio Lúcio

A vitória no primeiro turno de João Azevedo para o governo da Paraíba tem pelos menos dois efeitos de mais longo alcance na política paraibana.

Em primeiro lugar, abre-se um vácuo no campo da oposição a RC.

A nova derrota de Cássio Cunha Lima, dessa vez para o Senado, se não tem a força de afastá-lo definitivamente da política, o tira da condição de principal liderança oposicionista, com viés ainda mais de baixa.

O mesmo com José Maranhão, que vai curtir seus últimos quatro anos no Senado e, se for inteligente, preparar sua despedida da política.

Quanto a Luciano Cartaxo, o prefeito pessoense mostrou pouca virtude para pensar a grande política e não se colocou à altura dos desafios estratégicos para ele e para o estado que se apresentaram desde 2014. Não teve a ousadia de se lançar à disputa ao governo, como levou o irmão Lucélio a duas derrotas que poderiam ter sido evitadas. Num um deputado estadual o prefeito de João Pessoa conseguiu eleger em 2018. Até Chico Franca conseguiu eleger o irmão para a Assembleia. Portanto, 2020 será definitivo para o clã dos Cartaxo. E as perspectivas não são muito animadoras.

Dessa maneira, o campo fica aberto para Daniela Ribeiro, a única sobrevivente da oposição que pôde comemorar uma grande vitória em 2018. Mulher, jovem e com a visibilidade que uma ousada atuação no Senado pode permitir, Daniela é de longe a liderança mais promissora e com mais condições de ocupar o gigantesco espaço vazio no campo da oposição na Paraíba.

Se conseguir evitar os erros que marcaram a atuação do futuro colega de senador, Veneziano Vital, depois de 2010, e se não desenvolver pretensões hegemonistas, e mais ainda familísticas, Daniela pode ser a principal liderança da oposição paraibana a partir de 2019 e se consolidar como a única e fortíssima alternativa ao governo da Paraíba em 2022.

Basta que a futura senadora mostre o óbvio e os membros da oposição não sejam capazes de reconhecê-lo: Daniela é o principal ativo eleitoral com condições para aglutinar os órfãos da oposição no tortuoso caminho até 2022, caminho que tem uma parada estratégica em 2020. Sem uma liderança como Daniela a oposição definhará sem nomes porque não terá projeto e expectativas de poder.

Depois em volto para comentar a hegemonia ricardista depois da vitória de João Azevedo.

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