04/01/2019 - 09h13

Mais do mesmo: pesquisa Fonte83-Método mostra que nada vai mudar em Campina

Por Flávio Lúcio

Sob encomenda do Fonte83.com.br, o Instituto Método divulgou nova pesquisa sobre o cenário para as próximas eleições Campina Grande.

Foram realizadas 500 entrevistas em 35 bairros da cidade e os números mostram que o velho antagonismo entre os grupos liderados por Cássio Cunha Lima e Veneziano Vital do Rego mantem-se ainda vivo no imaginário dos eleitores da Rainha da Borborema e, a julgar pelas respostas dadas aos pesquisadores, a cidade ainda está longe de ver nascerem novas lideranças.

Na pesquisa espontânea, dos sete primeiros nomes mais citados apenas dois não pertencem à família Cunha Lima, mas são de famílias tradicionalíssimas da cidade: Romero Rodrigues (20,2%), Veneziano Vital (12,5%), Cássio Cunha Lima (7,2%), Daniella Ribeiro (3%),Tovar Correia Lima (1,5%), Bruno Cunha Lima (0,7%) e Pedro Cunha Lima (0,7%).

O acirramento é mantido também na estimulada, dessa vez com a exclusão do nome do atual prefeito. Veneziano Vital parte com 20,7%, Cássio Cunha Lima 18,2%, Daniella Ribeiro 14,5%, Bruno Cunha Lima 5,2%, Tovar Correia Lima 3,7%, Artur Bolinha 3,7%, Manoel Ludgério 2,5%, Lígia Feliciano 2,0%, Dalton Gadelha 0,7%, Branco/Nulo 15,2%, indecisos 11,5%.

Além da ausência de novas lideranças políticas, duas situações chamam a atenção na pesquisa. O primeiro deles é que a liderança de Veneziano na cidade não ganhou impulso depois da eleição para o Senado rejuvenescimento da liderança de Veneziano Vital na cidade, que foi fortemente abalada depois da última eleição municipal quando ele foi candidato a prefeito e obteve 24,34% dos votos válidos, número muito próximo do obtido para o Senado, em 2018 (21,85%).

O outro é a ratificação da decadência política de Cássio Cunha Lima naquela que foi sua cidadela inexpugnável até 2004, quando ele foi derrotado por Veneziano para a prefeitura. Apesar de ter conquistado grandes votações nas eleições seguintes para o governo, o desempenho foi sempre em queda: em 2002, candidato ao governo, Cássio obteve 74,24% dos votos válidos de Campina no segundo turno; quatro anos depois, em 2006, na disputa de reeleição, 69,25%; em 2010, Ricardo Coutinho, com apoio de Cássio, conquistou 62,51% e o próprio Cássio, em 2014, não foi muito além disso: 62,89%.

Quando analisamos a votação para o Senado nas duas vezes em que foi candidato, o definhamento da liderança de Cássio na cidade se torna mais claro: em 2010, Cássio obteve 37,97% (com o eleitor podendo escolher dois candidatos); oito anos depois, Cássio obteve dez pontos menos (27,74%), ficando atrás de Daniela Ribeiro, em Campina, que obteve 30% dos votos.

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Como Romero Rodrigues não pode novamente de recandidatar e como Daniela, Veneziano e Cássio dificilmente se aventurarão na disputa, o mais provável é que o nome do candidato do atual prefeito seja escolhido entre Tovar Correia Lima, Bruno Cunha Lima e Pedro Cunha Lima.

É essa tendência que a pesquisa parece mostrar quando são excluídos da disputa os nomes de Daniela, Veneziano e Cássio. Nesse caso, a sequência se inverte, mas e verifica-se um rigoroso empate técnico entre quase todos os candidatos: Bruno Cunha Lima aparece em primeiro com 9,2%, seguido por Tovar Correia Lima, com 9% e Pedro Cunha Lima, com 8,7%, os três em rigoroso empate técnico. Enivaldo Ribeiro, com 7%, Lígia Feliciano 6%, Artur Bolinha 4,5%, Ana Claudia 4,2%, Manoel Ludgério 3% e Dalton Gadelha 2,7% surgem todos/as muito próximos.

A tendência é que haja um afunilamento de candidaturas e o nome ungido pelo prefeito Romero aglutine se torne um nome único no campo da situação, incluindo nesse meio o nome de Enivaldo Ribeiro a depender dos movimentos pró-Daniela − a única dúvida reside em Bruno Cunha Lima, que se mostrou muito rebelde em 2018.

No campo da oposição, é bom destacar o nome de Ana Cláudia, esposa de Veneziano Vital. Apesar de ser, entre os nomes apresentados, aquele que tem menos visibilidade na atividade política, Ana Cláudia consegue se inserir como uma candidata com potencial de crescimento. Tanto porque deve incorporar ao seu espólio ao longo do tempo os votos de Veneziano, como deve herdar o poder de transferência que outros nomes, como Lígia Feliciano, Artur Bolinha, além do prestígio crescente do governo João Azevedo na cidade.

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