22/01/2019 - 08h36

Onde passa um boi passa uma boiada: Bispo reclama que Eduardo Varandas violou sigilo

Por Flávio Lúcio

Onde passa um boi, passa uma boiada.

Tem razão a Igreja Católica da Paraíba ao reclamar do vazamento do caso de crimes sexuais em que estão envolvidos o ex-Arcebispo da Paraíba, Aldo Pagotto, e mais quatro padres, que foi objeto de reportagem exibida no Fantástico no último domingo.

Através de nota da Arquidiocese  da Paraíba (leia aqui), assinada pelo substituto de Pagotto, Dom Manoel Delson, a Arquidiocese reclama vazamento do Ministério Público do Trabalho de um processo que corre em segredo de Justiça, mas desconfio que tardiamente.

Talvez agora só reste ao bispo reclamar ao Papa Francisco, porque “Maria Preá” está morta e enterrada, como se diz no sertão.

Violar processos que correm em segredo de Justiça virou arroz de festa no Ministério Público, mas, enquanto essa prática não atingia o clero, a atitude da Igreja Católica até agora foi de absoluto silêncio. O próprio Aldo Pagotto, do alto de sua moralidade torta, foi às ruas cantar o hino nacional e tocar apitos num processo político movido à vazamentos ilegais.

Além de antecipar julgamentos e expor à execração pública réus que ainda não foram condenados – decisão de juiz que deveria valer para todos e não apenas para alguns poderosos, –  a quebra do sigilo dos processos que correm em segredo de Justiça é criminosa porque a lei proíbe terminantemente a prática.

E mais ainda quando, em busca de seus minutos de fama, procuradores esquecem a lei e dão entrevistas sobre processos sigilosos que estão sob sua alçada.

O Brasil não tem mais lei, esqueceram?

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