05/02/2019 - 08h34

Traição na Assembleia: Ricardo Coutinho começou a fazer falta?

Por Flávio Lúcio

É paradoxal que, logo após a vitória consagradora de João Azevedo ao Governo da Paraíba, já no primeiro turno de 2018, vitória que praticamente liquidou as principais lideranças da oposição e, de lambuja, elegeu uma folgada base parlamentar, o novo governador já encontre tantas dificuldades na Assembleia.

A derrota do deputado Hervázio Bezerra e de toda a mesa governista para o segundo biênio do parlamento estadual foi o cartão de visitas da tropa de deputados ao novato em política João Azevedo. É como se eles dissessem: “olha, João, nós somos base do governo, mas queremos ser ‘bem tratados’, caso contrário, o trunfo será paus!  E não nos faremos de rogados para trair compromissos assumidos e a palavra dada”.

Já demostrando fraqueza, João Azevedo deixou claro ontem que entendeu o recado. Despachou Hervázio Bezerra em pessoa para uma entrevista na rádio Correio, no programa comandado por Nilvan Ferreira ladeado pelo sempre arguto João Costa.

Ao longo da entrevista, Hervázio engoliu ao vivo um sapo bem gordo. E, apesar de choramingar a derrota, começou a passar o remédio dos derrotados na ferida que ele ainda ostentava nas costas, causada pela facada recebida na última sexta.

Hervázio Bezerra, que não será presidente da Assembleia e perdeu o posto de líder do governo, comportou-se como o cordeirinho de sempre, mesmo afirmando agora ser titular do mandato. João Azevedo esqueceu que Hervázio não foi o único traído na sexta? Que a difícil acomodação para a formação das mesas deixou muito deputado governista de fora?

Hervázio disse que o autor da facada em suas costas era amigo de longas datas, que Flávio Galdino tinha tido um comportamento exemplar quando presidiu a Assembleia no segundo governo de RC, e que, portanto, estava disposto a deixar pra lá o ocorrido em nome da tranquilidade do governo na Assembleia. Flávio Galdino deve ter suspirado, achando que foi mais fácil do que ele pensava.

À noite, a tropa de choque do governo na imprensa entrou em ação e convidou o próprio Galdino a conceder uma entrevista, ocasião em que o presidente da ALPB jurou novamente fidelidade ao governo, reafirmou sua filiação partidária ao PSB – eis um socialista da gema!

Galdino falou da traição com tanta naturalidade que mais parecia que na sexta ele tinha ido tomar um café na Assembleia e, tendo mudado de ideia, preferiu beber whisky – ou uma cachaça Rainha, como sugeriu o “doido” Tião Gomes para comemorar a vitória de sexta, mesmo antes dela acontecer.

A Rainha é de Bananeiras, e não de Areia, se é que me entendem.

Enfim, o script nonatistaazevedeano está em desenvolvimento e o governador enfiou o primeiro pé lama, digo, na areia-movediça. Não precisou de muito tempo para pedir arrego e a porteira recentemente construída foi arrombada logo no primeiro teste.

Ricardo Coutinho começou a fazer falta.

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