11/02/2019 - 09h38

O estado de exceção chegou à Paraíba? Quem defende Ricardo Coutinho?

Por Flávio Lúcio

Sob fogo-cerrado desde que deixou o governo, Ricardo Coutinho enfrenta em silêncio, e sem que nenhum dos seus mais próximos aliados o defenda, a condição de vítima do Estado de exceção que o Brasil vive já há alguns anos.

Áudios que estão sob responsabilidade do Ministério Público chegam às mãos de jornalistas vinculados à Prefeitura de João Pessoa e ninguém sabe como, nem como foram gravados, e nem com que intenção.

No áudio que eu escutei os ex e atuais secretários de estado, Waldson Sousa e Gilberto Carneiro, têm como interlocutor um empresário “não identificado”. Quem é o “empresário” que participa da conversa? Foi ele que fez a gravação? Como ele se beneficiou da licitação objeto da discussão? Por que um áudio, que foi gravado gravado em 2012, só agora veio a público? Se foi o empresário que gravou, em que circunstância ele repassou a gravação para o Ministério Público? Ele é investigado?

Esse tipo de descontextualização de diálogos é outra característica do uso político de peças judiciais, unicamente vazadas para e pela imprensa para antecipar o julgamento popular, gerar dúvidas e destruir reputações.

Outras perguntas precisam de respostas para que essa situação seja esclarecida.

Se não foi o empresário que gravou a conversa, quem foi? O local (qual local?) estava grampeado? Se foi grampo, obviamente não tinha autorização porque não havia nenhuma investigação judicial em curso. Então, por que consta no processo? De que maneira o Ministério Público teve acesso à essa gravação?

Uma questão-chave: não houve a licitação objeto da conversa. Uma fonte do governo anterior me informou que Waldson Sousa e Gilberto Carneiro estavam tentando construir um termo de referência para manutenção de equipamentos e, por conta disso, estavam ouvindo quem era da área, prática inexistente até então. A partir dessas conversas, conclui-se por não fazer a licitação.

Outra mais importante ainda: houve desvio? Os gastos com os hospitais objeto desse debate são adequados comparados com o que se gasta, por exemplo, na Prefeitura de João Pessoa ou em outros estados?

Então, se não se não houve a licitação objeto do vazamento dos áudios de uma conversa descontextualizada, qual foi o crime cometido, qual o fato concreto da investigação? Ou o “criminoso” já foi escolhido para só depois o crime ser apontado?

É lícito concluir, portanto, que se desvios não ficam comprovados, a intenção é política e visa atingir politicamente dois dos mais próximos colaboradores de Ricardo Coutinho e fragilizá-los dentro do atual governo?

Vão deixar RC só?

Por fim, quem faz a defesa do governo de Ricardo Coutinho? Ou só no tempo da bonança política, RC merecia ocupar o lugar mais alto no panteão da política paraibana? E eu não falo aqui apenas de João Azevedo, que não foi o único beneficiário político da obra do governo anterior, de quem recebeu de presente o posto que atualmente ocupa. Tem muita gente se fingindo de morta, sobretudo na Assembleia.

Enfim, chegou a hora do ônus, porque na bonança política promovida por Ricardo Coutinho todo mundo fez a festa.

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