12/02/2019 - 09h53

Câmara vai blindar novamente Cartaxo e impedir investigação na Secretaria de Saúde?

Por Flávio Lúcio

Da maneira como anda a política paraibana, movida agora a gravações ilegais que vão parar no noticiário, feitas para constranger e, quem sabe, chantagear, em breve nenhum agente público vai aceitar iniciar uma conversa sem que o interlocutor seja submetido antes a uma revista.

Nem bem esfriou a repercussão a respeito da divulgação de diálogos envolvendo secretários importantes do governo estadual anterior, provavelmente gravados em segredo pelo empresário “não identificado” que participou da conversa, eis que uma nova e nebulosa gravação vem à tona, agora envolvendo Diego Tavares e Adalberto Fulgêncio, os dois muito próximos ao prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo.

Se no diálogo entre os secretários estaduais, ocorrido em 2012, o contexto da conversa não ficou claro pelos diálogos, a gravação que envolve os secretários municipais, tornada pública ontem, expõe um esquema de arrecadação de recursos dentro da Secretaria de Saúde de João Pessoa.

Apesar do diálogo ter sido minimizado em nota pelos dois secretários da PMJP – “se trata apenas de conjecturas e análises genéricas sobre como ocorreria à futura campanha, além de preocupações a cautelas a serem observadas” – os termos da conversa não parecem deixar margem para a dúvida de que os dois discutiam meios para arrecadar dinheiro para a campanha com empresas que prestam serviços à Prefeitura.

Eu selecionei alguns trechos que falam por si só:

“Eu posso chegar pro cara da Kairós e dizer ‘Thiago, quero 600 conto, vou te pagar essa porra agora, é sério, tem uma parte (inaudível), que o que tava lá, eu posso até botar aqui dentro e você vai me passar por fulano de tal, cê tá entendendo?”

Adalberto – Eu vou falar em percentual? De valor? Eu tenho dificuldade de falar com o cara. O que eu vou falar com o cara é o que eu sempre fiz, eu sempre fiz assim, que foi com você também na, na, na… Agora, como é que eu vou operar, o cara chegar aqui com uma mala com dinheiro?

Adalberto Vou dizer aqui, vou abrir o jogo: o cara da Mercúrio, por que ela tem mais relação? Porque ela mudou o foco. Eu disse ‘bicho, vamos mudar…’Aí, eu criei uma relação de todo mês, um negócio aqui, outro aqui… Então, eu criei uma relação de intimidade com ele. ‘tu agora vai ajudar aqui’e ele ajudou. Ele ajudou, eu não tiro a razão dele, que ele, que ele desvia, tá certo, esse é o cara que, às vezes não gostava da maneira, da forma.

Adalberto – Agora, não sei, assim: os caba vão topar fazer isso? Porque tá todo mundo meio ressabiado. O problema todo é o seguinte, o prefeito pede uma coisa a gente, que eu acho que você tem mais possibilidade de fazer essas coisas do que eu.

Diego – Se você me der o valor, eu pego com o caba.

Adalberto – Vou dar um exemplo, aqui o caba chega assim… Eu vou te pagar sei lá, R$ 500 mil, vamos supor que eu pague a ele R$ 500 mil. Aí ele já bota no papel quanto que é pra ir pegar, num é isso?

Diego – Isso!

Para dirimir qualquer dúvida, o melhor caminho é uma investigação da Câmara de Vereadores sobre as relações entre a prefeitura e as empresas mencionadas na gravação. Segundo levantou o site ParaíbaJá, as duas empresas (Mercúrio Saúde Produtos Hospitalares Eireli e pela Kairós Segurança LTDA) receberam até hoje um total R$ 16.272.933 nos últimos seis anos.

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