14/02/2019 - 11h47

Um governo de patetas mal intencionados: Bolsonaro desautoriza Paulo Guedes

Por Flávio Lúcio

O governo de Jair Bolsonaro nem completou um mês e meio e ainda não disse pra que veio.

Ou melhor, a impressão mesmo é que não temos governo em razão das constantes confusões criadas e o bate-cabeça entre os principais assessores do presidente.

Isso quando o próprio filho do presidente, Carlos Bolsonaro, que não tem cargo no governo, entra em cena para atacar políticos que, até então, pensávamos gozar da intimidade do pai.

Carlos já havia chamado o deputado Julian Lemos (PSL-PB) de “papagaio de pirata” do pai. No caso mais recente, o ex-presidente do PSL e atual ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, foi acusado por “Carlucho” de ter mentido ao dizer que falara com o Jair Bolsonaro ontem (13) sobre o caso do laranjal montado pelo PSL na eleição passada.

E essas confusões são ainda mais amplificadas pelas desautorizações públicas do próprio presidente sobre atos de ministros que pretendiam ser anunciados, como foi o caso recente do até então “super-ministro” da Fazenda, Paulo Guedes, que propôs a patetice de extinguir uma taxa antidumping para baratear as importações de leite em pó da Europa e Nova Zelândia.

Os protestos do agronegócio – um dos principais suportes políticos da campanha de Bolsonaro – contra a medida ofereceu um bom exemplo do quão é apenas retórica a defesa do liberalismo desses grupos econômicos.

Menos Estado só para os outros.

Sob pressão, o presidente desautorizou publicamente Dantas, optando corretamente pelo lado dos produtores de leite.

Não se pode dizer, entretanto, que os produtores de leite foram enganados. Veio-me à lembrança agora um episódio da campanha passada, que cito apenas porque tem estrita relação com o que exponho aqui.

Ciro Gomes visitou uma feira agropecuária no Rio Grande do Sul e lá falou a uma plateia o seguinte:

— Neste momento, precisamos garantir que o crédito chegue no tempo certo e no volume correto. É importante que o trabalhador que está na agricultura preste a atenção ao debate, porque os candidatos mais conservadores, Bolsonaro, Meirelles e Alckmin, estão propondo o fim dos subsídios.

Na saída do evento, Ciro Gomes debateu com o Presidente da Federação da Agricultura do RS. O tema “subsídio” voltou à tona:

— O Paulo Guedes, futuro ministro do Fazenda de Bolsonaro, defende o fim do subsídio.

— O Brasil não tem subsídio — respondeu o presidente da Farsul.

— O Brasil (subsidia) mais pesadamente do que todos (os outros países) — retrucou Ciro.

E os valores são próximos dos R$ 150 bilhões de Reais ao ano em subsídio à agricultura!

No caso do leite, o Brasil tem uma taxa antidumping desde 2001, 14,8% a mais do que os 28% já praticados para importações da União Europeia e Nova Zelândia – dumping, para quem não sabe, é a prática que mantém preços artificialmente baixos para destruir a concorrência.

Ou seja, Paulo Guedes, com seu liberalismo mal intencionado, quer facilitar a vida dos países que mais subsidiam leite, retirando o subsídio dos produtores brasileiros.

Mas, esse é o jogo dos nossos economistas liberais, que não têm projeto de país e veem a economia unicamente como uma relação custo-benefício, sem levar em conta os efeitos de longo prazo na economia, no caso, no setor leiteiro brasileiro, composto em grande parte por pequenos produtores organizados em cooperativa.

Bolsonaro vai anunciar sua posição a respeito do projeto de reforma da previdência a ser enviado por seu governo ao Congresso. Na grande batalha desse início de governo, e sob o apadrinhamento dos bancos, vamos ver se Paulo Guedes será novamente desautorizado.

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