22/02/2019 - 09h48

Se Bolsonaro perder o apoio dos trabalhadores dos grandes centros cairá caso não aprovar a reforma da Previdência

Por Flávio Lúcio

É um erro ficar apontando o dedo para o eleitorado pobre que votou em Jair Bolsonaro, o mesmo eleitorado que elegeu Lula e Dilma em quatro eleições sucessivas.

Trata-se de uma incompreensão. A eleição de 2018 realizou-se sob a tragédia social dos 14 milhões de desempregados que se espalhavam pelas famílias brasileiras em todo o país, ou seja, um abismo econômico e social que separava esse eleitorado dos tempos de pleno emprego e aumento da renda do trabalho do governo Lula.

Milhões de desempregados cuja responsabilidade podem ser atribuídas às decisões de política econômica tomadas no início do segundo governo Dilma (vejam quadro acima), que pouco diferiram das de Temer e agora de Bolsonaro – não por acaso, o ex-ministro da Fazenda do segundo governo Dilma, Joaquim Levy , faz hoje parte do governo de Jair Bolsonaro.

E 14 milhões de desempregados é ou não um bom motivo para a revolta eleitoral de parte dos trabalhadores contra o PT, sobretudo dos grandes centros, inclusive do Nordeste?

Não foi só isso que ajudou a derrubar Dilma, claro, mas deu fôlego à oposição de direita e ajudou a alimentar o bolsonarismo, que se apresentava, teatralmente, vê-se hoje, “contra tudo que está aí”.

Só que o monstro político da desilusão motivado pelo desemprego continua a assombrar as famílias de assalariados.

E se Bolsonaro, que não deu (nem vai dar) respostas para o desemprego e inicia um novo governo de crise, como também foi o de Michel Temer, não conseguir aprovar a reforma da Previdência, cairá também.

Porqua eleição é amadurecimento, é aprendizado político, para o povo e para os partidos.

Para o primeiro, é a pedagogia coletiva fundada na experiência da diferenciação; para os segundos, sobretudo os de esquerda, é o aprendizado a respeito da representação sobre quem eles representam, não apenas na eleição, mas principalmente no exercício do poder.

E isso deixou de ficar claro depois de 2015. Quando Dilma Rousseff assumiu o segundo mandato, o Brasil tinha menos de 5 milhões de desempregados.

Quando foi forçada a deixar o cargo, esse número havia chegado a 11,4 milhões de desempregados, mais que o dobro.

E se isso não foi um bom motivo para mudar o governo,  nenhum outro seria.

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