11/03/2019 - 18h21

Para atingir Ricardo Coutinho e João Azevedo, Operação Calvário segue modus operandi da Lava Jato

Por Flávio Lúcio

Os personagens são diferentes, o cenário é outro, mas o roteiro parece se encaminhar para ter o mesmo desfecho.

Tudo leva a crer que a chamada Operação Calvário adotou o modus operandi criado pelo ex-juiz e atual Ministro da Justiça do governo de Jair Bolsonaro, Sérgio Moro.

Na Operação Lava Jato, tudo começava com uma prisão preventiva decretada pelo juiz curitibano que, em geral, só se encerrava depois que o preso aceitava fazer uma delação premiada.

No caso Lula, bastou uma delação do ex-presidente da OAS, Leo Pinheiro, para convencer o então juiz Sérgio Moro a condenar o ex-presidente.

Não foi necessária uma prova sequer que comprovasse cabalmente ser Lula o verdadeiro dono do imóvel: o “triplex” não estava em nome de Lula, nem de nenhum familiar, ou de alguém que pudesse ser apontado como laranja. Bastou a convicção de Lula era o “proprietário oculto” para que Sérgio Moro o condenasse a mais de nove anos de prisão.

Um detalhe desse caso deve ser sempre lembrado. Leo Pinha ficou preso preventivamente por mais de um ano, e já estava condenado a 45 anos de prisão por outros dois processos, quando resolveu “entregar” Lula, isso depois de duas delações terem sido rejeitadas em que o ex-presidente sequer foi mencionado.

No caso da Operação Calvário, que investiga desvios praticados pela Cruz Vermelha no Rio de Janeiro, um personagem se transformou nas esperanças dos desafetos do ex-governador Ricardo Coutinho na imprensa e na política.

Trata-se de Leandro Nunes, ex-assessor da Secretaria de Administração do Estado. Nunes passou mais de um mês preso preventivamente no presídio PB1 − os presos da Operação Lava Jato ficam na carceragem da PF de Curitiba.

Não se sabe ainda o motivo pelo qual o juiz que decretou a prisão enviou Leandro para o PB1, porque não existe nenhum caso conhecido na Paraíba em que alguém com diploma de ensino superior tenha sido trancafiado no inferno do PB1.

Vejam o caso de Gustavo Teixeira, que assassinou o taxista Paulo Damião em plena via público no último dia 15 de fevereiro. Teixeira não apresentou sequer um diploma para ser levado ao 5º Batalhão de Polícia Militar da Paraíba, em João Pessoa. Bastou uma simples declaração de conclusão de curso.

Leandro não teve tanta sorte e passou um mês no PB1, mesmo com diploma de ensino superior. Foi exatamente durante a prisão que Leandro resolveu colaborar “espontaneamente” com a Justiça para receber em troca uma tornozeleira eletrônica e ganhar a liberdade.

Para dar seguimento ao modus operandi padrão Sérgio Moro, tudo que foi declarado por Leandro Nunes ao juiz do caso, que preside um inquérito que corre me segredo de justiça − ah, as nossas leis! − corre o mundo como se o investigado tivesse dado uma entrevista coletiva.

Num país onde as fake news ajudaram a eleger um inepto para a Presidência da República − com o apoio dos mesmos moralistas que vociferaram na imprensa e na política contra Lula e hoje vociferam contra Ricardo Coutinho, − não sei se tem alguma relevância lembrar que tudo que foi até agora estampado em matérias de TV, jornais, rádios e sites de internet, precisa ser devidamente comprovado.

Para alguns meios de comunicação, acostumados a destruir reputações difundindo mentiras para alimentar com carniça suas matilhas de lobos, nada disso faz a menor diferença, contanto que seus objetivos políticos sejam alcançados. Se possível, com pitadas que deem um leve de sabor de vingança ao prato.

Mas, não esqueçam que o Brasil de 2019 já não é o mesmo daquele Brasil que pariu a besta. Tanto Sérgio Moro, que assumiu ser mais político do que juiz ao aceitar ser ministro de Jair Bolsonaro, como os procuradores da Lava Jato, que enriqueceram durante as investigações e agora querem criar uma fundação para administrar R$ 2,5 bilhões, dinheiro da Petrobras, estão caindo em desgraça.

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