12/03/2019 - 09h31

Operação Calvário: é possível acomodar R$ 900 mil reais numa caixa de vinho?

Por Flávio Lúcio

Um detalhe aparentemente passou desapercebido ao Ministério Público, ao desembargador Ricardo Vital de Almeida e a nossa diligente imprensa que acompanham os eventos da Operação Calvário, detalhe que pode demonstrar que Leandro Nunes mentiu em juízo sobre o conteúdo da famosa caixa de vinho que ele pegou em um hotel do Rio de Janeiro, em 2018.

Leandro Nunes foi preso preventivamente na Operação Calvário e passou um mês preso no PB1, mesmo tendo diploma universitário, o que lhe daria direito a uma cela especial até que ele fosse julgado e condenado – a prisão preventiva indica que Leandro é apenas investigado.

Durante sua estadia no PB1, presídio que o jornalista Fabiano Gomes descreveu recentemente como um “inferno“, Leandro resolveu contribuir de “espontaneamente” com a Justiça.

Entre outras coisas, Leandro declarou ao MP que na caixa continha R$ 900.000. As imagens abaixo mostram o momento em que Leandro pega a caixa no hotel. Prestem atenção nas suas dimensões. Uma caixa de vinho para seis garrafas não tem muito mais que 30X30cm. Além do mais, notem a facilidade como Leandro carrega a caixa.

Agosto de 2018: Leandro Nunes recebe de Michele Louzzada Cardoso uma caixa, que ele disse inicialmente conter vinho

Agora, preste atenção nessa outra imagem. Trata-se de dinheiro apreendido pela Polícia Rodoviária Federal em uma mala de uma Land Rover durante uma abordagem, em março de 2017. A matéria sobre essa apreensão pode ser conferida aqui.

Sabe qual é o valor total desses mais de 50 maços de 100 notas de R$ 100,00? R$ 513,8 mil.

Agora, vamos pensar um pouco. É possível que numa caixa de vinho de 30X30cm possa caber 90 maços de 100 notas de R$ 100,00? Se para transportar R$ 518 mil reais, criminosos usaram a mala de uma Land Rover, como é possível que quase o dobro desse valor é possível caber numa caixa de vinho?

Portanto, não é preciso ser especialista para concluir que Leandro Nunes mentiu a declarar que recebeu R$ 900.000,00 numa caixa de vinho, suspeita divulgada pelo Ministério Público em matéria que foi ao ar no programa Fantástico, da Rede Globo, no início de fevereiro, e que motivou a prisão de Leandro Nunes, levado ao PB1 mesmo tendo direito a permanecer preso em um dos Batalhões da PM.

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