17/03/2019 - 00h40

O alvo não é Livânia Farias

Por Flávio Lúcio

Não me surpreendeu a prisão de Livânia Farias. Como já afirmamos aqui neste blog, espero que o desfecho dessa trama já não tenha sido criado, porque o autor demonstraria ser alguém despreocupado com a originalidade. Se for assim, a prisão de Livânia seria apenas o segundo ato de um enredo que não aconteceu para ser o último.

Vejam se minhas suspeitas não têm fundamento. Qualquer brasileiro que tenha prestado um mínimo de atenção aos acontecimentos dos últimos anos saberá reconhecer essa trama mal arranjada.

Primeiro, escolhe-se o “criminoso” e só depois o crime pelo qual ele purgará será apontado.

No estágio inicial da trama, o principal é o que não é dito, mas o que fica subentendido para a construção de uma narrativa que pretende ter início, meio e fim. O tema central, como sempre, é a corrupção, a matéria-prima com que as farsas jurídicas foram construídas nos últimos anos nessa burlesca República de Bananas na qual estão reconvertendo o Brasil.

Afinal, Sergio Moro não condenou Lula sem provas para afastá-lo da política e da eleição para a qual era favorito? E depois não aceitou ser Ministro do candidato eleito, o principal adversário de Lula na eleição? Às favas os escrúpulos!

E o apelo à corrupção com o objetivo de enlamear lideranças políticas de esquerda, como quem é bem informado sabe, não é exatamente uma novidade histórica no Brasil, mas nesses tempos turvos dominados pelas redes sociais, o que menos importa é a verdade factual. Basta a versão, basta uma narrativa, que não precisa ser tão bem elaborada, para que as convicções se estabeleçam.

No chão fértil do todo político é corrupto não é preciso muito esforço para que as ervas daninhas sejam confundidas com fruteiras coloridas. Enquanto crescem seus frutos, de aparência saudável para as instituições, na verdade elas já carregam o sabor acre do veneno e o odor da podridão que torna a politica um mal em si mesmo, e que corrói a democracia, matando por dentro suas instituições nos apelos à turba.

A corrupção é o mais apropriado combustível para acender as fogueiras nas quais os feiticeiros e as feiticeiras da política, todas em suas vestes vermelhas, queimarão, enquanto as bestas do apocalipse bradam com suas tochas ardentes a sua moralidade torta.

Lá no alto, os abutres da mídia planam em círculos, ansiando por saborearem o resultado do seu serviço sujo. Estão fartos de jogarem carniça às hienas. Por ódio ou interesses inconfessáveis − na maioria das vezes, os dois juntos, − abrem a cena para cumprirem seu papel, que é o de destruir reputações, enquanto os seus permanecem devidamente protegidos. Levantam suspeitas, revelam detalhes, mas escondem o principal.

Não nos enganemos, então. Saberemos em breve se o “criminoso” dessa estória já foi escolhido, já que os mocinhos − esses Dallanhóis e Moros da vida que infestam o sistema judiciário − a mídia já os escolheu. E se já preparam meticulosamente os powerpoints com os quais pretendem mais uma vez demonstrar sua pós-verdade cheia de convicções que não precisam de comprovação.

Mas, é bom que esses “supostos” mocinhos e os abutres da mídia também se apercebam disso: o Brasil começa a acordar para essas farsas, sobretudo porque se trata de uma história que eles querem ver repetida.

E, como todo mundo sabe, a história nunca se repete. A não ser como farsa,

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