02/05/2019 - 20h16

Venezuela: Maduro resiste ao golpe e à intervenção estrangeira

Por Flávio Lúcio

A tentativa de golpe que a oposição venezuelana tentou protagonizar expôs ao mundo o desespero de um imberbe líder, Juan Guaidó, que assumira o lugar de Leopoldo Lopez, este condenado a 13 anos de prisão domiciliar pela justiça venezuelana por incitação à violência. Guaidó aceitou desempenhar o ridículo papel de presidente autoproclamado da Venezuela.

Talvez por isso, Guaidó e um grupo de militares de baixa patente precisou retirar Lopez de casa, num ato de clara insubordinação e desrespeito à Justiça, Eles talvez acreditassem que faltava uma iniciativa como aquelas para pôr em movimento as engrenagens do golpe, encorajando os militares, como aconteceu em 1964, no Brasil.

Aqui, esse papel coube o então coronel Olímpio Mourão, que retirou dos quarteis as tropas sob seu comando em Juiz de Fora e as estacionou na fronteira de Minas com o Rio. Sem contar com uma reação à altura de Jango, Mourão só fez esperar as adesões, que aconteceram ao longo do dia 31 de março, e só em 1º de abril que a tentativa de golpe de Olímpio Mourão ganhou a liderança militar – para tanto, várias malas recheadas de dólares foram usadas como “argumento” para convencer alguns generais, entre eles o comandante o II Exército, em São Paulo, Amaury Kruel, que se mantinha fiel a Jango (veja aqui).

O mais novo fracasso da oposição venezuelana mostra até agora, entre outras coisas, que ela não tem uma liderança capaz de enfrentar o governo Maduro e os movimentos populares que o apoiam. É uma luta que assume cada vez mais o caráter de luta de defesa nacional. Combinado com uma liderança muito mal preparada e mal assessorada pela CIA, que, ao que parece, tem seus movimentos antecipados pelo governo venezuelano, provavelmente com o apoio da Rússia − foi com ajuda do serviço secreto da Rússia que o presidente da Turquia, Recep Erdogan, soube que seus militares preparavam um golpe para derrubá-lo. E os contra-golpeou com vigor quando eles tentaram derrubá-lo..

Os movimentos protagonizados por Guaidó e Lopez não tiveram a adesão pretendida, nem nas ruas nem entre as forças armadas, e mais uma vez fracassou no isolamento. Leopoldo Lopez acabou pedindo asilo exilou na Embaixada do Chile, e depois na da Espanha, o que talvez signifique que ele projeta ficar mais tempo por lá. O paradeiro de Juan Guaidó é ainda desconhecido, mas, se ele ainda estiver em território venezuelano, será preso.

Sobre os acontecimentos de ontem, é possível concluir que quanto mais o tempo passa mais Nicolás Maduro amplia suas condições de permanecer no poder, unindo o país contra a intervenção das forças estrangeiras, lideradas pelos Estados Unidos e, para vergonha nossa, o Brasil.

A alternativa que resta aos Estados Unidos é uma invasão, e isso poderá trazer para o conflito a China e a Rússia. Os Estados Unidos terão peito?

Os militares brasileiros já sabem que se trata de uma arapuca.

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