07/05/2019 - 12h04

Pedro Cunha Lima e a tábua de salvação da Operação Calvário

Por Flávio Lúcio

Durante discurso na convenção do PSDB realizada no último fim de semana, o deputado federal Pedro Cunha Lima chamou Ricardo Coutinho de “ladrão”.

Eu escutei o discurso do novo presidente do PSDB da Paraíba e suas palavras não revelaram nada que desse suporte a essa “convicção”, a não ser o ódio.

Dá pra entender o motivo que levou o deputado sair de linha. O nome de Ricardo Coutinho deve provocar urticária em qualquer um que atenda pelo sobrenome Cunha Lima.

E não é para menos. Ricardo Coutinho rebaixou o pai de Pedro à condição de mero advogado, isso depois de ser bajulado como “maior liderança política da Paraíba” pela mesma tropa de jornalistas que hoje tem treme de prazer ao falar da Operação Calvário. Como se soubessem de antemão que as lideranças que apoiam são inatingíveis. E parece que são mesmo.

Como o “tapetão” é a última das esperanças dos sem voto, eis que é fácil entender com o quê Pedro Cunha Lima sonha: fazer com Ricardo Coutinho e João Azevedo o mesmo que ele ajudou a fazer com Dilma e Lula. Derrubar um e colocar na cadeia o outro.

Pedro tem uma dupla linhagem na política. A primeira provém, claro, do próprio nome. Pedro é um filhinho de papai que entrou para a política ocupando logo uma cadeira de deputado federal apenas por ser filho de Cássio Cunha Lima. O mesmo aconteceu com o pai, que herdou votos de Ronaldo Cunha Lima. Como herdeiros, Cássio e Pedro ralaram muito pouco para alcançar os postos que alcançaram.

Pedro Cunha Lima é também da mesma estirpe de Aécio Neves, e não apenas por conta da intimidade que o pai de Pedro, o hoje quase esquecido Cássio Cunha Lima, desfrutou com o ex-governador mineiro, que, lembremos, esbravejava contra a corrupção até ser flagrado pedindo e depois recebendo uma mala cheinha de dinheiro do dono da JBS. Isso sem falar nas contas no exterior que Aécio e outros tucanos gordos, entre os quais José Serra, tinham.

Lembremos a Pedro que, segundo depoimento de um executivo da Odebrecht, Cássio recebeu R$ 900.000,00 “por fora” para a campanha de 2014 em troca da privatização da Cagepa. Segundo esse mesmo executivo, Ricardo Coutinho recusou a oferta.

Foi a turma de Pedro, Cássio e Aécio, abraçada alegremente a Eduardo Cunha, que derrubou Dilma Rousseff para colocar em seu lugar Michel Temer. Depois só esperaram que Sérgio Moro cumprisse o script e condenasse e prendesse Lula antes da eleição. Sem uma única prova sequer, diga-se, a não ser a delação premiada de um empresário preso.

Sem condições para derrotar Ricardo Coutinho na urna, resta a Pedro, a Cássio, a José Maranhão, aos Cartaxo, a todo o familismo oligárquico que ainda subsiste na política paraibana, além de sua tropa de choque na imprensa, sonhar com a possibilidade de ver repetida na Paraíba o mesmo que aconteceu nacionalmente com Lula e Dilma.

Golpe!

O que não deixa de ser sinal de burrice, para dizer o mínimo. Essa gente, ao que parece, não aprende nem com os próprios erros. O PSDB hoje é apenas uma sombra do que já foi no passado, na Paraíba e no Brasil.

Tudo porque Aécio Neves não reconheceu a derrota de 2014. Com esse gesto, ele não apenas abriu caminho para enfiar o país na bagunça institucional em que vive hoje, como criou as condições para a própria desgraça política e eleitoral, e que reduziu o PSDB a força secundária na política nacional. Hoje, os tucanos são uma mera linha-auxiliar de Bolsonaro no Congresso.

E como líder do PSDB no Senado indicado por Aécio, Cássio deu grande contribuição para que essa agenda que destruiu nossas instituições e nossa economia prosperasse.

Aécio reconheceu, pelo menos, a pequenez politica a que havia sido reduzido e se contentou com uma cadeira na Câmara. Cássio, não. Do alto de sua pavonisse, a “maior liderança política da Paraíba” preferiu disputar as duas vagas para o Senado. E o povo lhe deu o que ele merecia, fazendo-o amargar um desmoralizante quarto lugar. Hoje,  advoga em Brasília, é o que diz ele.

O próprio Pedro Cunha Lima perdeu mais de 100 mil votos entre a eleição de 2014 e a de 2018. Em 2014, Pedro obteve 179.886 e foi o deputado federal mais votado. Em 2018, caiu para 8º com 76.754 votos, um decréscimo de exatos 103.132 votos. Como Pedro não tem voto, esse deve ser o tamanho de Cássio.

Portanto, dá para entender o nervosismo que beira o desvario de Pedro Cunha Lima e da oposição na Paraíba. A Operação Calvário é a tábua de salvação que resta.

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