08/05/2019 - 16h55

Anísio Maia será voz solitária na Assembleia em defesa dos direitos e garantias fundamentais?

Por Flávio Lúcio

Demorou, mas finalmente apareceu um deputado estadual com coragem para defender os direitos e garantias fundamentais das pessoas e criticar métodos de investigação contidos em operações com a Lava Jato e a Calvário.

O deputado estadual Anísio Maia (PT) nem bem reassumiu seu lugar na Assembleia de onde, pelo visto, jamais deveria ter saído, e surpreendeu indo além de apresentar suas conhecidas credenciais de deputado que não tem medo de expor o que pensa nem de apenas “falar pra agradar a galera”.

Ele não apenas confirmou que estava ali para defender o governo João Azevedo, que ajudou a eleger, como deixou claro que será uma voz na Assembleia Legislativa em defesa dos direitos e garantias fundamentais.

No contexto atual, isso significa que Anísio Maia será um crítico da Operação Calvário aqui na Paraíba caso ela reproduza os mesmos métodos de investigação da Operação Lava Jato. Isso ele declarou em entrevistas concedidas na Assembleia, onde acabara de tomar posso como suplente na vaga do deputado Genival Matias.

Em entrevista concedida ao programa Correio Debate, da 98 FM, Anísio voltou à carga e não fugiu do debate. Disse o que quase nenhum deputado estadual teve até agora coragem de dizer: “Tenho medo que a Operação Calvário se transforme numa Operação Lava Jato aqui Na Paraíba”. Segundo Anísio, a Lava Jato foi arquitetada fora do Brasil para destituir um governo de esquerda, processo que agora se estende pela América Latina. “E isso pode chegar na Paraíba. A Operação Calvário pode virar uma Lava Jato.”

Anísio criticou incisivamente os métodos de investigação baseados unicamente em delações premiadas, que tem sido o preferido de investigação da Operação Lava Jato e  adotado até agora pela Calvário. “Trata-se de um método quase inquisitorial, um método violento, porque o acusado é preso sem que seja ainda réu para que ele diga às autoridades que o prenderam o que elas querem ouvir”. Segundo Anísio, os acordos das delações premiadas resultam de pressão, de “tortura psicológica”, com a família apelando, “chantagens as mais diversas.”

“Sensacionalismo”

Anísio também denunciou outro viés dessas investigações conduzidas pelo Ministério Público. O sensacionalismo. “O que fizeram ontem no Conde não tem lógica. Pra quê prender um vereador em plena sessão da Câmara de Vereadores? O mesmo aconteceu com Buega Gadelha.” O deputado perguntou qual o motivo dessas prisões espetaculosas e ele mesmo respondeu. “Tudo isso é para criar um ambiente político favorável”. Segundo ele, essas operações não podem fazer sensacionalismo, os investigadores não podem correr atrás de aplauso.

Anísio manifestou confiança na Justiça Paraibana. “Espero que a Justiça paraibana não embarque nesse barco da Lava Jato. É isso que vou apostar. É isso que vou estar vigilante. Não basta pegar uma pessoa à toa e fazer dela o que bem entender. Queremos um julgamento justo. Sem contorno político”.

Enquanto isso, os/as “ricardistas” na Assembleia mantém um silêncio tumular quando o assunto é Operação Calvário. É como se vivessem fora da Paraíba, ou no “fantástico mundo de Bob” onde o tempo só passou até 31 dezembro. Quem sabe alguém com a coragem de Anísio Maia não ajude a despertar o antigo ímpeto ricardista dessa turma.

Quem sabe?

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