17/05/2019 - 09h06

Nilvan Ferreira não apreciou o sabor do próprio veneno

Por Flávio Lúcio

Não se trata apenas de corporativismo a defesa que setores da imprensa paraibana – os mesmos de sempre – fazem  do comportamento agressivo de parte dos seus membros na cruzada atual contra o PSB paraibano.

Vejam os anuncios de publicidades que enfeitam as páginas desses blogueiros e, quem tem um mínimo de discernimento, entenderá os motivos para tanta parcialidade, agressividade crescente, virulência dos ataques, provocações, num comportamento que se revela cada vez mais desprovido de alguns dos mais caros valores éticos que, um dia, com orgulho, o jornalismo ostentou quase como uma insígnia.

O que vemos, hoje, na Paraíba mancha de vergonha uma categoria que sempre se orgulhou do papel social de expor as mazelas brasileiras e paraibanas.

Parece que assistimos a uma verdadeira Inquisição, a uma guerra aberta contra um segmento da política paraibana, isso sem que o público saiba que está em andamento, nem os verdadeiros motivos pelos quais essa guerra foi declarada.

Ontem, mais uma dessas batalhas transcorreu, agora ao vivo, nos estúdios de rádio do Sistema Correio. Atendendo a um convite da produção do programa Correio Debate, a deputada estadual Estela Bezerra deve ter pensando se tratar de um convite para uma entrevista, mas era, na realidade, uma armadilha.

Em tom que só os promotores emprestam à voz quando interrogam os acusados, o radialista Nilvan Ferreira praticamente não deixou Estela Bezerra responder a nenhuma de suas perguntas capciosas sobre a Operação Calvário que ele fez – os outros dois apresentadores do programa quase não falaram.

Um acusado sob julgamento pelo menos sabe o motivo pelo qual senta no banco dos réus. Não era o caso de Estela quando se sentou à frente do “promotor” Nilvan, que acusou, sem mostrar uma prova sequer, o “PSB”, e, portanto, Estela Bezerra, de estar envolvida na Operação Calvário.

Um promotor pelo menos deixa o acusado falar, mas nem isso. Estela Bezerra, pelo visto, só poderia dizer sim às acusações de Nilvan, caso contrário  não conseguiria falar. Foi constrangedor ouvir aquele espetáculo, antes de tudo,  de falta de urbanidade.

Vejam que Nilvan Ferreira não dispensa o mesmo tratamento quando entrevista o prefeito Luciano Cartaxo ou alguém da PMJP, momento em que a aspereza dá lugar à bajulação – o mesmo comportamento, vá se saber por que, é verificável com o prefeito de Cabedelo, Vitor Hugo. É quando o promotor dá lugar ao advogado de defesa.

E o pior de tudo aconteceu quando, diante da atitude de inquisidor da moral alheia de Nilvan Ferreira, Estela lembrou do caso em que lojas de roupas de propriedade do radialista foram acusadas de vender marcas falsificadas e foram objeto de apreensão na chamada Operação Vitrine (relembre o caso lendo a matéria que Rubens Nóbrega, que começa a fazer falta, escreveu em seu blog clicando aqui

Foi aí que o tempo fechou. Nilvan Ferreira pelo jeito não apreciou o sabor do próprio veneno e perdeu o prumo. Não aguentou um segundo ao ver o dedo apontado em sua direção.

Esse episódio tem muito de irônico, mas tem também muito de pedagógico.

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