24/05/2019 - 16h29

Lula, Ciro Gomes e Ricardo Coutinho: frente ampla a caminho?

Por Flávio Lúcio

A visita que o ex-governador Ricardo Coutinho e o presidente do PDT, Carlos Lupi, fizeram ontem a Lula, em Curitiba, tem uma importância que transcende o simbolismo de uma reunião entre as principais lideranças dos três maiores partidos da esquerda brasileira.

Desde que o STF liberou Lula para conceder entrevistas à imprensa e a receber visitas de companheiros, aliados e personalidades da política brasileira, ficou evidenciado que, nem de longe, a prisão alienou Lula ou fez diminuir sua larga percepção do tamanho dos desafios que o país e seu povo têm pela frente.

Todas as entrevistas mostraram até agora que Lula compreende cada vez mais a necessidade de construir as bases de um novo pacto nacional que permita restabelecer, no Brasil, a normalidade democrática e institucional, sem a qual restará ao país o caminho do autoritarismo e o fim de qualquer projeto de soberania.

Pode parecer paradoxal que Lula seja apontado agora como peça-chave de qualquer projeto que possa dar um mínimo de unidade ao país, condição sem a qual não será possível superar os impasses que, desde 2016, paralisam a economia brasileira. Impasses criados após o impeachment de Dilma Rousseff e a condenação e a prisão do próprio Lula, fatos que desaguaram na eleição de Jair Bolsonaro.

Se há, entretanto, uma verdade insofismável é essa: nenhum projeto com essa dimensão poderá ser realizado sem a participação de Lula. Mais do que isso. Só Lula tem capacidade de diálogo com as diversas forças políticas e sociais do país, liderança, autoridade moral e política para tornar esse projeto viável.

E Lula sabe que o primeiro passo para a realização desse objetivo é a reunificação da esquerda, o que significa voltar a contar com Ciro Gomes e o PDT, impedindo com isso que Ciro seja a alternativa da direita para derrotar o lulismo. Até em razão disso, a participação de Ciro facilitará a atração do chamado “centro-democrático”, o que viabilizaria a formação de uma frente ampla, de conteúdo nacional e democrático, que seja capaz de elaborar e propor uma alternativa para salvar o país e sua economia do colapso na direção do qual caminha.

Para conferir a correção dessa hipótese, encaminhei a seguinte mensagem ao ex-governador Ricardo Coutinho:

“A conversa de ontem com Lula significa que o ex-presidente começa a liderar a formação de uma ‘frente ampla’, não apenas contra Bolsonaro? Ciro pode participar?”

Coutinho respondeu nos seguintes termos:

“Essa é a tese que eu defendi junto a ele. Falei que até agora só o próprio governo fez mal ao governo e que precisamos de um rumo programático para enfrentar a conjuntura. A presença do Lupi foi muito importante. Lula disse que receberia Ciro, caso ele quisesse, e que as diferenças entre eles provocadas pelas declarações de Ciro eram entre os dois e não entre os partidos e que eles se acertariam.”

Pelo visto, o primeiro passo para a reunificação da esquerda foi dado com a reunião de Lula, Ricardo Coutinho e Carlos Luppi. E em um momento decisivo em que as ruas começam a ser ocupadas contra o governo Bolsonaro.

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