19/07/2019 - 13h08

A eloquência de certas omissões: João Azevedo inaugura a partir de hoje 25 obras

Por Flávio Lúcio

Desde ontem, a imprensa paraibana noticia que o governador João Azevedo inaugurará, a partir desta sexta (19/07), um conjunto de 25 obras.

Entre as obras estão a Escola Técnica, em Sousa, o Teatro Santa Catarina, em Cabedelo, a Escola Técnica de Artes, em João Pessoa, as adutoras de Monte Horebe e Carrapateiras, o IML de Cajazeiras, o Polo Calçadista de Patos, a nova Escola Álvaro Gaudêncio de Queiroz e o Eixo das Nações, em Campina Grande.

No total, são 52 milhões de Reais em investimentos.

Como é por demais sabido, obras desse porte jamais poderiam ser planejadas, licitadas e executadas em apenas seis meses, que é o tempo do governo de João Azevedo.

Ou seja, todas essas obras foram planejadas, licitadas e começaram a ser executadas no governo de Ricardo Coutinho.

O que me levou a escrever esse texto foi o fato de não ter lido em nenhuma das diversas matérias publicadas na imprensa paraibana qualquer menção a isso.

Como em pelo menos duas dessas matérias (MaisPB e Polêmica Paraíba) os textos são rigorosamente iguais, é lícito supor que a fonte da notícia seja um release da Secom do governo do estado.

Não se trata aqui de debater a paternidade de obras públicas, construídas com o dinheiro público. Antes de tudo, trata-se tanto de dever de justiça e como de rigor informativo.

E, se a origem da divulgação partiu mesmo da Secom, pode ser que exista uma questão a mais, essa de ordem política. Se a ordem não partiu do governador João Azevedo, que não tem como acompanhar os detalhes de como o seu governo é divulgado pela Secom, pode-se inferir que o secretário responsável, o jornalista Luís Torres − que ocupa o cargo, registre-se, desde o governo de Ricardo Coutinho − está por trás dessa omissão, nesse caso, nem um pouco involuntária.

Ao divulgar a inauguração de obras sem deixar claro que começaram no governo anterior − é bom sempre repetir, o governo de um aliado, que sacrificou a disputa por uma vaga no Senado para ajudar a eleger João Azevedo, − fica parecendo que o governador atual pretende assumir, aí sim, a paternidade dessas obras, como se tivessem sido executadas, exclusivamente, durante os últimos seis meses.

Ao lado de João Azevedo, RC fala na plenário do Orçamento Democrático desse ano.

“Ruídos” como esses voltam a surgir, talvez não por acaso, depois que João Azevedo e Ricardo Coutinho terem dado mostras de afinidade política ao aparecerem juntos durante a plenário do Orçamento Democrático, em João Pessoa – e na reunião da Executiva Nacional do PSB. E o motivo é que não interessa a nenhum dos dois nenhum rompimento.

Mas, é preciso que o governador João Azevedo fique atento a esses “detalhes”. São artifícios políticos dessa natureza que podem colocar em dúvida, de novo, a boa relação entre ele e Ricardo Coutinho.

Porque, volto a lembrar: em certas ocasiões políticas, atitudes são mais eloquentes do que palavras. O mesmo se pode dizer certas de omissões.

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