23/07/2019 - 09h58

Pesquisa Método-Arapuã: João Azevedo já supera Luciano Cartaxo como liderança estadual

Por Flávio Lúcio

A pesquisa Método-Sistema Arapuã perguntou aos entrevistados/as “quem é a maior liderança do estado da Paraíba?”

Não acredito que tenha surpreendido a ninguém a liderança, por larga margem, conquistada pelo ex-governador Ricardo Coutinho, que obteve em todo o estado, 37,1%, seguido por Cássio Cunha Lima e José Maranhão, que estão empatados tecnicamente com percentuais de 12,1% e 10,3%, respectivamente.

Dos nomes da oposição, Luciano Cartaxo e Romero Rodrigues, ambos prefeitos da duas maiores cidades do estados e considerados até bem pouco tempo as novas caras da oposição conservadora na Paraíba, amargam percentuais que beiram o ridículo: 5,3% e 2,8%.

Os dois certamente pagam o preço pelas administrações medíocres que fazem em suas respectivas cidades, além de se verem virtualmente enterrados pela reconhecida covardia de não ousarem entrar na disputa ao governo em 2018, sobretudo o prefeito pessoense.

Mesmo com origens sociais e políticas diferentes das de Romero Rodrigues, Luciano Cartaxo acabou rumando para o campo do tradicionalismo político, agora manifestamente de direita. Por isso, nem aos já ultrapassados José Maranhão e Cássio ele consegue ser alternativa.

No caso de Romero Rodrigues, parece que o que lhe resta e disputar o feudo campinense com Cássio Cunha Lima, isso se Cássio tiver coragem de peitar o primo prefeito.

Ao abocanhar quase 40% das indicações dos paraibanos, Ricardo Coutinho colhe os frutos de seu ousado combate à política oligárquica, tanto no âmbito administrativo quanto político.

É esse traço que resume a trajetória de Ricardo Coutinho na administração pública paraibana, como prefeito de João Pessoa e como governador do estado.

Com coragem e clareza programática, aliando discurso e ações administrativas  − o Orçamento Democrático e o Empreender são dois programas paradigmáticos nesse sentido, − Ricardo foi capaz de demonstrar o quanto seu projeto político-administrativo se diferia daqueles que Cássio e Maranhão sempre encarnaram na Paraíba.

Se você ainda tem duvidas sobre os resultados positivos das duas administrações de Ricardo Coutinho à frente do governo da Paraíba, a imagem abaixo, um dos quadros de uma análise do cenário macroeconômico produzida pelo Banco Santander, é expressiva o suficiente para não deixar margem para dúvidas:

Notem que a Paraíba é uma ilha quando comparada à situação dos outros estados nordestinos. Não foi obra do acaso, portanto, que RC assumiu a condição de maior liderança política do estado, isso reafirmado e constatado mesmo quando o ex-governador deixou de ocupar qualquer cargo administrativo ou político, como agora.

Por isso, RC derrotou Cássio e Maranhão, cada um a seu tempo, em dois embates eleitorais sucessivos e difíceis, para depois colher os louros de uma vitória consagradora oito anos depois de ter assumido o governo da Paraíba, e com toda a oposição oligárquica reunida contra o candidato do PSB, João Azevedo. Em termos de diferenças de projetos político-administrativos, nenhuma eleição foi tão pedagógica quanto a de 2018 na Paraíba.

João Azevedo já é maior que Luciano Cartaxo

Os mais afoitos podem considerar que o desempenho de João Azevedo foi sofrível na pesquisa sobre as maiores lideranças políticas do estado.

Não é bem assim. Além de ser um ponto de partida, os 6,2% conquistados por JA, por exemplo, já o colocam em 4º lugar nessa concorrida disputa, e à frente de Luciano Cartaxo, que, além de uma longeva carreira política, há quase sete anos governa a capital paraibana e maior cidade do estado.

Não faz muito tempo, Cássio era incensado por seus aliados como a “maior liderança da Paraíba”. O que mudou foram os critérios de como os eleitores aferem a importância política de cada um. As de Cássio e Maranhão tinha pelo menos um suporte que nem Ricardo Coutinho nem João Azevedo dispõem: o poder familiar.

Assim como Ricardo entendeu os verdadeiros desafios políticos e administrativos da Paraíba, e soube conduzir seu governo nessa direção, João Azevedo tem o desafio de compreender o seu papel como sujeito político e dar continuidade ao desafio histórico de seguir mudando a Paraíba para impedir retrocessos.

Enfim, se for capaz e tiver ousadia de pensar “fora da caixinha”, ou seja, distante da visão tradicional que tanto Cássio Cunha Lima, José Maranhão, Luciano Cartaxo e Romero Rodrigues reproduziram quando tiveram a oportunidade de governar numa Paraíba em transição, João Azevedo pode desempenhar um papel reformador e modernizador tão ou mais importante quanto o que Ricardo Coutinho desempenhou até agora.

Basta saber aonde ele quer chega, ao lado de toda a Paraíba.

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