02/08/2019 - 15h45

Gervásio Maia e Frei Anastácio não vão à reunião em que João Azevedo pediu arrego a Bolsonaro

Por Flávio Lúcio

O governador João Azevedo chamou para um café-da-manhã na Granja Santana a bancada federal “aliada”.

Participaram da reunião, além do senador Veneziano Vital do Rego, os deputados federais Efraim Filho, Hugo Motta, Damião Feliciano e Wilson Santiago.

A intenção anunciada, segundo a página oficial do governo, foi “discutir projetos de lei de interesse da Paraíba que tramitam na Câmara e no Senado Federal e de apresentar ações da gestão estadual que precisam da liberação de recursos para serem executadas”.

Na prática, entretanto, o café-da-manhã teve dois propósitos.

Primeiro, permitir que o governador deixasse claro que entendeu o recado de Jair Bolsonaro aos governadores do Nordeste, dado naquele assombroso dia em que todos os nordestinos foram tratados por “paraíba”.

Segundo, anunciar a mudança de postura e a nova linha que passa a orientar as relações de João Azevedo com o governo Bolsonaro, que é de não “comprar briga”, como declarou um dos participantes da reunião ao site PBAgora.

Em outras palavras, João Azevedo acovardou-se, arregou diante de um presidente que detratou os nordestinos e disse que o tratamento que dispensaria aos governadores da região seria o do boicote administrativo.

Talvez prevendo esse vexame, os deputados federais Gervásio Maia (PSB) e Frei Anastácio (PT) não participaram da reunião.

O dois certamente compreendem a dimensão moral e política de suas funções parlamentares e o caráter oposicionista dos seus mandatos.

Também devem compreender que, diante do governo atual, não se trata apenas de manter-se fiel às posições do partido e do eleitorado.

Um parlamentar federal se calar hoje diante de um presidente cuja capacidade de expressar as asneiras carregadas de intolerância e as mais canhestras desumanidades parece ser infinita. Mais ainda, não podem colaborar com um projeto que visa destruição do país e dos direitos do povo.

A Efraim Filho e Wilson Santiago não seria preciso fazer tal pedido porque os dois já colaboram com Bolsonaro no Congresso. Mas, pedir que Gervásio Maia e Frei Anastácio se ajoelhem diante de um governo como o de Jair Bolsonaro seria não apenas grosseiro, mas injurioso.

Os dois fizeram bem em não ir à reunião.

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