04/08/2019 - 11h44

Ex-vice presidente do PSL diz que João Azevedo nunca foi socialista: “É um moderado de centro”

Por Flávio Lúcio

O jornalista Rui Galdino é um conhecido bolsonarista paraibano. Filiado ao partido de Jair Bolsonaro, o PSL, foi vice-presidente estadual do partido, isso até Julian Lemos se tornar deputado federal e senhor absoluto da agremiação.

Costuma publicar seus textos em sites como o Polêmica Paraíba e participar de programa de TV, sempre a defender o presidente, sua família e as pautas reacionárias do bolsonarismo, como fazer ataques ao Congresso para fazer coro com o projeto do presidente de transformar o Brasil numa ditadura.

É também um admirador do prefeito de João Pessoa, para quem vive a escrever loas em suas colunas. A última, escrita em julho de 2019, ainda tenta enxergar Luciano Cartaxo como “um líder político em ascensão“.

Pois bem, Rui Galdino passou a engrossar o canto dos que torcem − e estimulam − o rompimento entre Ricardo Coutinho e João Azevedo.

Em texto publicado hoje no site Polêmica Paraíba, Galdino traça um perfil ideológico do atual governador, afirmando que João Azevedo, “apesar de estar socialista, NUNCA FOI SOCIALISTA, NUNCA!” − o grifo é meu, mas a caixa-alta e a exclamação são do autor.

Além de não considerar João Azevedo socialista, Galdino localiza João Azevedo no espectro político do país como um “MODERADO DE CENTRO”. Ele vai além e descreve traços da personalidade do atual governador afirmando que “João, é família, gosta de fazer e preservar amigos, etc.” − as vírgulas a mais nesse e em outros trechos citados estão no original.

Não vou resistir em fazer esse parêntese: confesso que tenho dificuldade para entender a importância de caracterizar alguém como “família“, embora desconfie da intenção.

Por exemplo, Luciano Cartaxo gosta também de ser lembrado como um “homem de família”. Na entrevista que concedeu à Rádio Correio, na última sexta (2/8), ocasião em que Nilvan Ferreira mais uma vez estendeu-lhe o tapete vermelho, Roberto Cavalcanti, também um inquestionável homem de família, fez questão de lembrar a importância do irmão, dos filhos e da esposa na vida do prefeito pessoense.

Até onde sei, o ex-governador Ricardo Coutinho tem uma família numerosa, tem também irmãos, filhos, esposa. Apesar de não fazer questão de demonstrar, eu imagino que Ricardo tenha carinho por todos eles, e que esse sentimento deve ser recíproco.

Eu desconfio, entretanto, que RC não seja exatamente alguém que Rui Galdino ou Roberto Cavalcanti considerariam “família” − talvez porque nenhum irmão ou filho do ex-governador tenha entrado para a política pegando o elevador, o que me conduz à conclusão de que cada um tem uma maneira bem particular de enxergar a meritocracia.

Voltando ao texto de Rui Galdino. Por considerar João Azevedo um “moderado de centro”, alguém, portanto, que não está propenso aos embates próprios da política, Galdino afirma com convicção que, em razão disso, não há mais “liga” para sustentar a unidade entre Ricardo Coutinho e João Azevedo, unidade que para ele era uma “simbiose”.

TRAIÇÃO AO PROJETO POLÍTICO ADMINISTRATIVO E A RICARDO COUTINHO

Notem que no debate sobre a manutenção ou não da unidade entre o atual e o ex-governador da Paraíba, pouco preocupa aos que estimulam o racha entre os dois − quase todos eleitores de Lucélio Cartaxo ou José Maranhão na última eleição − questões programáticas, respeito ao projeto político-administrativo que transformou a Paraíba e em nome do qual João Azevedo se candidatou e foi eleito governador.

E isso é o que realmente importa. O resto é gente interesseira, do lado de dentro e do lado de fora do balcão, que, como urubus, começam a sobrevoar em círculos, em voo de aproximação, logo que sentiram os primeiros odores do que, para eles, é a carniça que move seus interesses.

Além do quê, comemoram o que pode ser o mais solerte ato de traição, de dupla traição: ao projeto inaugurado por Ricardo Coutinho e ao próprio Ricardo Coutinho, que confiou a João Azevedo a responsabilidade de substituí-lo e dar seguimento às mudanças que a Paraíba apenas começou a vivenciar.

Quem na fila do pão da política paraibana era João Azevedo até que Ricardo Coutinho o indicasse candidato? E o que seria da candidatura de João Azevedo caso Ricardo Coutinho tivesse preferido colocar em primeiro lugar seu projeto pessoal e tivesse renunciado ao mandato de governador para disputar uma eleição certa para o Senado?

E para quê tudo isso? Para ser elogiado como “moderado” por um bolsonarista, que antecipa não apenas um rompimento, mas estimula o governador a caminhar nessa direção, isso apenas sete meses depois de João Azevedo ter assumido o mandato?

Se os prognósticos de Rui Galdino se confirmarem, a tendência é João Azevedo “migrar para outra legenda no momento certo” − só faltou o jornalista dizer que o PSL estava à disposição do governador.

Segundo ele, “mesmo não sendo socialista de carteirinha“, João Azevedo deseja ter o controle do PSB no estado. Em razão disso, não vê com bons olhos o “nome de Ricardo Coutinho, para presidir o PSB na Paraíba”.

Belas companhias o governador vai ter se e quando romper com Ricardo Coutinho.

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