07/08/2019 - 13h38

João Azevedo resolveu finalmente peitar o G10?

Por Flávio Lúcio

A ausência do grupo de deputados denominado G10 na reunião da bancada governista, realizada ontem no Palácio da Redenção, foi um duro recado ao governador João Azevedo.

Desde que sentou na cadeira de governador, JA convive com uma bancada de apoio na Assembleia fragmentada.

Mais ainda: diante dos alertas de que seria um erro não combater esse divisionismo, exigindo uma definição clara desses deputados sobre a relação política com o governo, o governador sempre colocou panos quentes, subestimando o potencial desorganizador de atos de dubiedade política.

Aliás, o termo “bancada de apoio” é como o governador sempre preferiu chamar esse grupo de deputados. Em entrevistas, as lideranças do G10 sempre ressaltam que são “independentes”, ou seja, que votarão com o governo de acordo com as conveniências políticas do grupo, e não do projeto administrativo do governador.

Escolheram como principal bandeira do grupo um projeto que pretende tornar impositivo o orçamento, mesmo diante da oposição do governador.

ADRIANO GALDINO, O CÉREBRO POR TRÁS DO G10?

Portanto, o governador não pode dizer que se surpreendeu com mais esse recado dado ontem. Não tem sido incomum da parte desse grupo atos explícitos de confronto.

Todo mundo lembra que foi em aliança com a oposição que esse grupo impôs a mais grave derrota ao governador João Azevedo até agora, durante a eleição para a mesa dos dois biênios da atual legislatura.

Com a participação do deputado “socialista” Adriano Galdino − não é incomum considerar que o presidente do parlamento estadual o cérebro por trás do G10, − esse grupo de deputados se aliou à oposição para eleger uma chapa para o segundo biênio.

Isso depois do próprio Galdino ter participado da celebração de um acordo em que ele seria eleito presidente da Assembleia para o primeiro biênio e o deputado Hervásio Bezerra para o segundo.

Galdino esperou que a primeira parte do acordo fosse cumprido, para só depois aceitar o “convite” da principal liderança do G10, o deputado João Gonçalves para trair o acordo.

E não se fez de rogado: deixou o governador e a bancada do governo na mão, e aceitou participar de chapa com o G10 e com a oposição.

RC SOBRE O G10: “EU ACHO QUE ISSO VAI TERMINAR MUITO RUIM COM ATRITOS CADA VEZ MAIORES”

A atitude de Adriano Galdino e do G10 foi logo esquecido pelo governador, mesmo diante dos alertas de que, caso continuasse a agir como se nada estivesse acontecendo, os atos de confrontação do G10 só ganhariam fôlego.

Aliás, o tratamento dado ao G10 por João Azevedo produziu uma das raras ocasiões em que o ex-governador Ricardo Coutinho manifestou publicamente alguma discordância.

No finalzinho de maio, em Cajazeiras, durante uma solenidade em sua homenagem na Câmara de Vereadores, RC disse que considerava um erro João Azevedo aceitar a maneira dúbia como o G10 estava se comportando, e que o governador deveria dizer se aceitava ou não a postura assumida por esse grupo de deputados.

RC lembrou que chegou a ficar em minoria na Assembleia, mas não aceitou participar desse jogo. “Eu acho que isso vai terminar muito ruim com atritos cada vez maiores. Eu não sou mais governante, mas se eu me visse numa situação como essa, eu gostaria de ter uma definição, sim, de quem está no governo e de quem não está. E eu acho que essa definição tem que ser cobrada”, disse o ex-governador à época.

No mesmo dia, João Azevedo expressou sua divergência com Ricardo Coutinho afirmando que o G10 era governo: “Eu não tenho dúvida nenhuma (da fidelidade do G10). Eu já tive reunião com o G10, G13, G14 e todos eles, evidentemente, colocaram claramente que são da base. O G10 é um grupo da base e é nessa lógica que nós temos trabalhado (pela unidade). O governo elegeu por esse projeto que hoje represento 22 deputados e tem mais dois deputados associados a este projeto e que têm dado a sustentação que o governo precisa. E é nessa lógica de agregar, de somar, de atrair quem efetivamente tiver interesse de continuar construindo esse projeto, que nós temos construído essa relação nossa com a Assembleia”, disse João Azevedo.

Adriano Galdino, claro, achou as declarações de Ricardo Coutinho “desnecessárias”: “O G10 é base, é governo, é João Azevedo”, disse o presidente da Assembleia, reforçando o que disse o governador.

JOÃO AZEVEDO VAI FINALMENTE MUDAR DE ATITUDE

Um dia depois de mais um ato de confronto do G10, o governador João Azevedo parece que finalmente dá sinais de que vai mudar de atitude com o G10. Disse que não vai mais aturar a existência de grupos no interior da base do governo. E foi direto:

“Nós temos uma base na Assembleia. Aqueles que se sentirem à vontade na base vão continuar. Aqueles que não se sentirem, não posso forçá-los a continuar, é uma decisão de cada um. No primeiro semestre fizemos reuniões com grupos separados e depois conjunta. A partir de agora serão realizadas reuniões conjunta. não irei mais me reunir com blocos. Só haverá reunião com toda a base”.

O próximo passo será sabermos como reagirá o G10 à nova disposição do governador: se testará a firmeza de João Azevedo, mantendo a atuação do grupo, ou se experimentará uma diluição em meio à bancada governista.

A G10 anunciou hoje a inclusão de mais um deputado Doda de Tião. Se incluirmos a deputada Pollyana Dutra, do PSB, o grupo já soma 12 deputados, um terço da composição da Assembleia.

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