15/08/2019 - 11h42

CARTA AO GOVERNADOR: Por que João Azevedo não apoia Ricardo Coutinho na presidência do PSB?

Por Flávio Lúcio

Meu caro governador,

Existem soluções em política que não deveriam causar nenhum debate, de tão óbvias que seriam caso vivêssemos uma situação de normalidade.

É o caso da proposta lançada pelas deputadas estaduais do PSB, Cida Ramos e Estela Bezerra, para que o ex-governador Ricardo Coutinho assuma a presidência estadual do PSB no lugar de Edvaldo Rosas, que acaba de ser nomeado para uma estratégica secretaria de governo.

Essa ideia deveria ser abraçada com entusiasmo por qualquer liderança do PSB que tivesse uma visão larga da política, o que pressuporia alguém que não tivesse seus horizontes limitados a uma medíocre concepção de que governar é, antes de tudo, acomodar interesses de indivíduos e de grupos no interior da administração pública estadual.

A importância política de Ricardo Coutinho, como o senhor, governador, bem sabe, transcende as fronteiras do estado. Coutinho é hoje uma das principais lideranças nacionais do PSB e uma das nossas principais referências políticas, e não só para a esquerda, dentro e fora da Paraíba.

Se essa lembrança não for suficiente para sustentar o óbvio, eu acrescento outra.

Aos que hoje cantam de galo como se fossem donos das rinhas da política paraibana, sem terem votos nem liderança para tanto, eu lembro que o lugar que hoje ocupam eles devem exclusivamente a Ricardo Coutinho, inclusive a cadeira ocupada por V.Sa., governador.

Até vencer a eleição para o governo no ano passado, eleição que muitos disseram que não tinha chance, o senhor não tinha disputado sequer uma eleição para vereador. Era um ilustre desconhecido para a amplíssima maioria dos eleitores paraibanos.

Talvez eu esteja sendo duro, governador, mas o senhor mais do que ninguém sabe que isso é verdade. Contra todos os prognósticos, RC apostou na candidatura de um desconhecido, como o senhor era, porque sabia do portfólio administrativo que tinha a apresentar e o legado que tinha a defender.

Sua vitória, João, decorreu de várias iniciativas de Ricardo Coutinho.

A primeira, porque o senhor foi uma escolha pessoal do próprio ex-governador, que poderia ter apontado o dedo para outro nome de sua confiança e este teria as mesmas chances de ser eleito.

Mas ele apostou na sua competência, no seu trabalho, nas suas qualidades como gestor, na sua lealdade ao projeto. Tanto que os mesmo que hoje o estimulam ao ato final de traição o apelidaram de “poste de Ricardo Coutinho”, lembra?

A segunda, foi a decisão que RC tomou de ficar no governo, mesmo com uma eleição assegurada para o Senado. E por que Ricardo Coutinho preferiu não concorrer ao Senado, mesmo sendo aconselhado, inclusive por muitos que hoje o rodeiam, a não fazer esse sacrifício? Porque Ricardo colocou em primeiro lugar o projeto, que, pensava ele, era dos muitos que o ajudaram a implementá-lo, como o senhor.

Ricardo Coutinho anunciou que ficava no governo e não seria candidato ao Senado

E a decisão de permanecer no governo, João, foi estratégica para sua vitória, porque assegurou que não houvesse qualquer ruptura administrativa, e de lambuja o senhor ganhou um exímio articulador e organizador para sua campanha.

A terceira, foi a transferência do prestígio do exitoso governo que fez Ricardo Coutinho para sua candidatura, numa campanha contra adversários tradicionais da política paraibana. O senhor tinha discurso, tinha o que dizer e oferecer ao eleitorado, por isso foi eleito governador.

E hoje o senhor é capaz de negar a Ricardo Coutinho apoio para que ocupe a presidência de um partido que ele, mais do que ninguém, ajudou a construir para se tornar o partido mais importante da Paraíba?

Não, governador, Ricardo Coutinho merecia de sua parte e da dos que hoje lhe cercam uma maior deferência, um maior reconhecimento por tudo que ele fez pelo PSB e por todos vocês.

Pelo menos esse apoio, João, o senhor deve a Ricardo.

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