16/08/2019 - 21h54

OS ERROS DE JOÃO AZEVEDO 1

Por Flávio Lúcio

O desfecho dos embates em torno do controle do PSB paraibano, depois do anúncio da destituição de todo o diretório estadual do PSB paraibano, e da posterior criação de uma comissão provisória para dirigir o partido, feito hoje pelo presidente nacional do partido, Carlos Siqueira, merece uma longa reflexão, que será feita aqui em capítulos.

Se o anúncio representa uma inquestionável vitória para Ricardo Coutinho, numa demonstração de força e liderança interna contra o “poder da caneta” de João Azevedo, é preciso ainda saber se serão interrompidos os movimentos feitos até agora para produzir p rompimento entre o ex e o atual governador da Paraíba, ou se marcharemos para um consenso entre os dois.

MOVIMENTOS ATABALHOADOS

Desde que assumiu o governo, o maior dos erros políticos cometidos por João Azevedo foi sua tentativa malograda de isolar Ricardo Coutinho dentro e fora do PSB. A multiplicidade de movimentos que fez João Azevedo nessa direção eram explícitos demais para não serem percebidos.

Mesmo assim, um dos mistérios que permanecem indecifráveis, a não ser na cabeça de Nonato Bandeira, o cérebro por trás dessa estratégia, é a razão pela qual João Azevedo decidiu abrir tão cedo o confronto com Ricardo Coutinho.

Rupturas entre criatura e criador sempre aconteceram na política brasileira, e a Paraíba tem numerosos exemplos disso.

Carlos Mangueira foi eleito vice-prefeito de João Pessoa, em 1988, e assumiu o cargo em definitivo quando o titular, Wilson Braga, renunciou para se candidatar ao governo estadual, em 1990. Quando Ronaldo Cunha Lima tomou posse, Mangueira cuidou de mudar de barco.

Na eleição seguinte foi a vez de Chico Franca. Do mesmo grupo político de Wilson Braga, Franca era um ilustre desconhecido para o eleitorado até ser lançado vice na chapa de Lúcia Braga. Como a titular foi impugnada dias antes da eleição, Franca foi eleito beneficiado em razão de não ter havido tempo para imprimir novas cédulas − as já impressas constavam Lúcia Braga na cabeça de chapa.

O que há de comum entre os dois casos? Primeiro, que tanto Carlos Mangueira como Chico Franca romperam com Wilson e Lúcia Braga depois do segundo ano de mandato. Segundo, os dois adquiriram depois dos mandatos a marca da deslealdade e desapareceram da política paraibana.

Por isso, se esse foi o objetivo delineado por João Azevedo antes de assumir a cadeira de governador, os movimentos que anteciparam o confronto com a liderança de Ricardo Coutinho foram tão atabalhoados que só os mais ingênuos não perceberam.

Isso ficou tão evidente que até a imprensa de oposição, à unanimidade, deixou de detratar o atual governador e se converteu, com uma rapidez sui generis, em “conselheiros” do governador, incensando-o a se “diferenciar” de Ricardo Coutinho, recomendando que desse uma “outra cara” a um governo que fora eleito com um discurso de continuidade da obra iniciada nos oitos anos anteriores.

Os tapetes de todos os cantos, antes azuis, hoje verde-amarelos, logo foram estendidos ao governador, numa sincronia tão perfeita que parecia regida por um maestro: Nonato Bandeira regia a imprensa de oposição, enquanto os aliados se viam num constrangimento que dava dó.

E então, o rei se fez nu: tão cioso em evitar ter a imagem de alguém manipulado pelo ex-governador, a quem deve a eleição, João Azevedo caiu feito um patinho na armação urdida por Nonato Bandeira para separá-lo de Ricardo Coutinho.

Porque foi isso que Nonato sempre teve em vista: sem Ricardo Coutinho por perto, Nonato teria toda a liberdade, como teve até agora, para definir os rumos políticos do governo, em razão do imberbe governador, embora afeito ao mundo da administração pública, não conhecer os meandros do jogo bruto da política.

E essa característica o atual secretário de comunicação ajudou a difundir desde logo: João Azevedo, o “técnico” que dialoga, ou seja, que está aberto a fazer acomodações políticas, a negociar o que fosse possível para ter paz com a assembleia, o TJ e etc. O resultado mais evidente desse novo tempo foi o nascimento do G10, um grupo de deputados ansioso por “dialogar” com o novo governador (com a faca no pescoço do dito-cujo).

Ou seja, foi Nonato Bandeira o grande responsável por meter o governo de João Azevedo num grande e desnecessário imbróglio, cuja estratégia passou desde sempre por confrontar a maior liderança política da Paraíba, uma das maiores do país, e o principal responsável pela eleição do atual governador.

Amanhã eu voltou para tratar de um dos possíveis medos de João Azevedo: 2022.

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