19/08/2019 - 10h57

Walber Virgolino convida João Azevedo para o Patriotas: “vade retro”?

Por Flávio Lúcio

Ainda vai ser necessário acompanhar os desdobramentos da crise instaurada PSB paraibano depois da destituição de toda a Direção Estadual do partido.

A nomeação da nova direção provisória do partido pode ser um bom indicativo para sabermos se Ricardo Coutinho e João Azevedo vão chegar a algum acordo ou se o atual governador arrumará as malas e se abrigará em outra legenda.

Convite é que não vai faltar, pelo jeito. E o ambiente começa a ser de feira-livre dadas as expectativas de ter um governador em seus quadros. E, claro,na condição de dono.

Acostumados ao mandonismo da política de clientela, que predominou no Nordeste e que ameaça voltar à Paraíba, políticos e jornalistas de oposição, e famílias incrustadas no Estado, imaginam que João Azevedo seja mais aberto a “diálogos” desse tipo e consigam restituir os antigos interesses.

Para quem não está afeito à categoria clientela, ela foi muito utilizado entre historiadores para conceituar as relações sociais e políticas do coronelismo, sobretudo na República Velha.

Segundo Hélio Jaguaribe, “a forma típica de política de clientela consiste na concessão de empregos públicos para determinadas pessoas ou na execução de serviços públicos, em benefício de certas áreas ou grupos, em troca de apoio político para o promotor de tais iniciativas.” A política de clientela, nesse sentido, seria a negação e se oporia à política programática.

Não sejamos ingênuos. Tanto as louvações recentes desses setores a João Azevedo, quando perceberam os primeiro sinais de conflito no PSB, quanto os continuados ataques a Ricardo Coutinho, decorrem dessa expectativa de retomar o controle político do estado sem precisarem de eleição, já que voltar ao governo pelo voto é bastante improvável.

A Paraíba aprendeu a reconhecer e distinguir quem faz política de clientela de quem faz política programática.

BOLSONARISTA OFERECE PARTIDO A JOÃO AZEVEDO

Desde as primeiras movimentações que levaram à atual crise no PSB (demissão de assessores muito próximos a Ricardo Coutinho, ampliação da influência de Nonato Bandeira no governo, nomeação de Edvaldo Rosas para uma secretaria e posterior veto à indicação do ex-governador para ocupar a presidência do partido) o foguetório é grande nas hostes da oposição oligárquica na Paraíba.

A expectativa é que João Azevedo não apenas rompa em definitivo com Ricardo Coutinho, como se mude de mala-e-cuia do PSB para outro partido, qualquer que seja ele.

Alguns dos convites feitos a João Azevedo chegam a ser acintosos, para dizer o mínimo, de tão desavergonhados que são, sobretudo se considerarmos o partido ao qual João Azevedo é filiado e a aliança política que o elegeu governador, amplamente hegemonizada por partidos progressistas (PSBPDT, PT PCdoB).

É o caso do convite feito pelo deputado estadual bolsonorista, Walber Virgolino.

Segundo declarou o deputado, que preside na Paraíba o Patriotas – o partido que abrigaria Jair Bolsonaro caso ele não tivesse preferido o PSL: “O governador João Azevedo será bem recebido no nosso partido. Aqui ele vai ter segurança, a palavra de homens honrados que cumprem compromissos (?).”

É estranho que João Azevedo não entenda esse tipo de convite no mínimo como uma provocação e continue sem responder à altura, como fez Leonel Brizola logo após o anúncio do resultado do primeiro turno da eleição presidencial de 1989.

Questionado por uma repórter a respeito de um recado público de Fernando Collor para uma conversa sobre o segundo turno, Brizola foi firme e deu uma resposta antológica àquele convite que era um ataque à sua história:

– Vade retro!

Logo depois, Brizola anunciou apoio a Lula.

Comentários