27/08/2019 - 12h21

Quem tem medo de Bolsonaro? Quem defende a Transposição?

Por Flávio Lúcio

A ONU recomenda um consumo de água mínimo por habitante de 120 litros. Essa quantidade é suficiente para atender, minimamente, as várias necessidades de todo ser humano. Só que, no semiárido nordestino, esse consumo é de apenas 50 litros por habitante, ou seja, menos da metade do que a ONU recomenda.

Essa situação que é agravada pelas características demográficas do  semiárido nordestino, que é o espaço mais povoado do mundo, com uma altíssima densidade demográfica (21,59 hab/km), enquanto a brasileira é 19,87 hab/km.

No Semiárido nordestino vivem mais de 22 milhões de habitantes (quase 10% de toda a população brasileira). Se considerarmos que apenas 3% da população mundial vivem em regiões semiáridas, temos uma dimensão do tamanho que é o desafio brasileiro de prover segurança hídrica para uma população dessa magnitude e, mais ainda, a importância da Transposição de águas do São Francisco na resolução desse problema.

Desse total de habitantes do semiárido nordestino, 12 milhões serão beneficiados pela Transposição do Rio São Francisco, incluindo aí cidades do porte de Campina Grande, que tem uma população de mais de 400 mil habitantes – recentemente, a cidade quase entrou em colapso de água, e foi a chegada das águas da tranposição que salvou a cidade de um desastre. Quais seriam as repercussões sociais e políticas de uma catástrofe dessa magnitude?

No Cariri paraibano, a situação se agrava a cada dia. O açude de Sumé, por exemplo que abastece dez municípios (Sumé, Serra Branca, São José dos Cordeiros, Livramento, São João do Cariri, Parari, Gurjão, Prata, Ouro Velho e Monteiro) chegou a um ponto crítico, com um volume de apenas 4,93%!

 

Por isso, não é aceitável que o governo federal trate um problema tão grave com tamanha irresponsabilidade. Desde fevereiro, as águas deixaram de fluir pelo canal da transposição por decisão do governo Bolsonaro. A justificativa não poderia ser mais torpe.

O governo considera alto o custo de manutenção da Transposição, de R$ 300 milhões ao ano, e quer privatizar o acesso às águas do São Francisco e repassar a operação e a manutenção do Projeto de Integração do Rio São Francisco para a iniciativa privada.

Diante desse quadro, a maioria da bancada federal e estadual da Paraíba vai manter-se inerte, em um silêncio que pode muito bem ser confundido com covardia? Ou pretende agir: Quantos senadores, deputados federais e estaduais estarão presentes no ato em defesa da Transposição, que acontecerá no próximo domingo, em Monteiro?

Quem tem medo de Bolsonaro?

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