29/08/2019 - 19h42

Veneziano vai a Monteiro; só falta o João Azevedo confirmar presença

Por Flávio Lúcio

Depois de sinalizar, ontem, que estava propenso a ir ao SOS Transposição, o ato público que vai reunir no próximo domingo, em Monteiro, várias lideranças nacionais e estaduais para defender as obras da Transposição do Rio São Francisco, o Senador pelo PSB, Veneziano Vital do Rego, confirmou presença na manifestação.

Com o anúncio, Veneziano se junta ao outro membro da bancada federal paraibana do PSB, o deputado federal Gervásio Maia, que foi um dos primeiros parlamentares paraibanos a dizer que iria ao ato público.

Cida Ramos, Estela Bezerra Jeová Campos, deputados/as estaduais, também confirmaram presença.

VENEZIANO, CAMPINA E O AÇUDE DE BOQUEIRÃO

A decisão de Veneziano coloca pressão para que o João Azevedo também anuncie que vai a Monteiro no próximo domingo, decisão que o governador ainda não tomou. Logo ele, governador do estado e, hoje, uma das principais lideranças do PSB paraibano, vai faltar ao ato?

Será um péssimo sinal, sobretudo depois que os ministros do governo Bolsonaro estenderam um tapete preto para Azevedo, ontem, em Brasília. Se Azevedo não for, vai ficar parecendo que entendeu o recado de Jair Bolsonaro.

Veneziano também pensa lá na frente. O açude de Boqueirão, que abastece Campina Grande, está próximo de chegar aos 20% de volume hídrico, o que é bastante preocupante porque coloca um novo racionamento de água no horizonte da cidade, caso as águas São Francisco as águas não voltem logo a encher o açude.

No ano passado, foi a Transposição que impediu o colapso no abastecimento d’água de Campina.

Muitos haverão de lembrar desse momento o que aconteceu. Depois da chegada das águas do Rio São Francisco, foi o próprio João Azevedo quem anunciou o fim de um prologado racionamento de água, que penalizava por meses Campina Grande, impedindo que a água jorrasse nas torneiras cinco dias por semana.

Os que hoje jogam flores para João Azevedo, sobretudo o prefeito Romero Rodrigues e uma infinidade de jornalistas que atualmente bajulam o governador, criticaram pesadamente a decisão, inclusive com recursos à Justiça para impedir o fim do racionamento, cujo suplício atingia, principalmente, os bairros mais pobres da cidade.

Os que não queriam o fim do racionamento argumentavam que ainda era cedo para acabar com ele, defendendo inexplicavelmente o prolongamento daquela agonia – ele que viviam em seus prédios e casas com gigantescas caixas-d’água.

Ricardo Coutinho João Azevedo seguraram a peteca e enfrentaram o debate. E o tempo deu razão aos dois, porque o volume do açude de Boqueirão só fez crescer, isso até que Jair Bolsonaro determinasse o fim do fornecimento (Bolsonaro acha caro o custo anual de R$ 300 milhões de reais para manter a Transposição e quer privatizá-la, eis o principal “argumento técnico” do governo, e que o governador esqueceu de mencionar na entrevista que ele concedeu, ontem).

Veneziano provavelmente reconhece qual o lado certo nesse debate e nesse enfrentamento com Bolsonaro, que já deixou claro que deseja ver os governadores do Nordeste de joelhos. Com a eleição de 2020 chegando, e o prefeito bolsonarista, Romero Rodrigues, enrolado nos desvios da merenda, as possibilidades de vitória no próximo ano se ampliam consideravelmente.

Evitar que João Azevedo caia nos braços da oposição cassista em Campina Grande é um passo importante.

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