02/09/2019 - 10h30

Um recado à imprensa bolsonarista da Paraíba: o que fracassou em Monteiro mesmo foi o cerco a Ricardo Coutinho

Por Flávio Lúcio

A Paraíba se encontrou de várias maneiras, ontem, em Monteiro.

Milhares de pessoas provenientes de várias regiões do estado se juntaram a outros milhares de caririzeiros para empunharem uma só bandeira: a bandeira da defesa da Transposição, do direito universal ao acesso à água.

O melhor da política brasileira e paraibana também estava em Monteiro, ontem.

Importantes lideranças políticas nacionais, que deram uma representatividade nacional à altura do ato convocado por Ricardo Coutinho e por organizações da sociedade civil e partidos, como a presidenta do PT, a deputada federal, Gleise Hoffmann, e a presidenta do PCdoB, a vice-governadora de Pernambuco, Luciana Santos.

Além delas, o senador Humberto Costa (PT) e o deputado federal João Campos (PSB), filho de Eduardo Campos, o parlamentar mais votado de Pernambuco na eleição passada.

Fernando Haddad, ex-ministro da Educação, ex-prefeito de São Paulo, e candidato a presidente com mais de 70% dos votos dos nordestinos, em 2018.

Três deputados federais empunharam o microfone para falar à multidão: Gervásio Maia, do PSB, Frei Anastácio, do PT, e Damião Feliciano, do PDT, esposo da vice-governadora, Lígia Feliciano. A presença do Dr. Damião não pode ser considerado uma surpresa, afinal ele pertence à bancada de oposição no Congresso a Bolsonaro. A presença de Damião Feliciano, em Monteiro, pode ser interpretado como um recado muito explícito: Damião tem lado na política paraibana, o lado que estava reunido no palanque e nas ruas de Monteiro. 

Presença de muito significado também foi a do ex-deputado federal petista Luiz Couto, candidato ao Senado na última eleição e único secretário de estado presente ao ato, registre-se.

Tão expressiva quanto a presença de Damião Feliciano, foi a presença do senador Veneziano Vital do Rego (PSB). A pressão, sobretudo da imprensa bolsonarista, para que Veneziano não fosse a Monteiro foi intensa, mas, como se viu ontem, Veneziano caminhou pelas ruas ao lado das forças populares que, eleição a eleição, derrotam as forças oligárquicas da Paraíba.

A presença de sete deputados estaduais também mostra que o cerco que pretenderam criar para esvaziar o SOS Transposição, esse sim, fracassou: dos oito deputados estaduais do PSB, o partido do governador, quatro foram a Monteiro: Cida Ramos, Estela Bezerra, Jeová Campos e Buba Germano. Além de Anísio Maia (PT) e do deputado Chió, da Rede, que fez um dos mais aplaudidos na tarde de ontem.

Enfim, o grande ato público que a cidade de Monteiro recebeu, ontem, representa uma grande vitória política para o campo progressista, liderando na Paraíba pelo ex-governador Ricardo Coutinho, que foi homenageado com uma carta escrita pelo ex-presidente Lula, essa sim, a ausência mais sentida do ato, pelo exemplo de compromisso com o povo, pela esperança que ele representa.

Em um dos trechos mais significativos da carta lida por Ricardo, Lula lembra de sua vida a Monteiro, no ano passado:

“Poucas coisas na vida me fizeram tão feliz quanto tirar do papel um sonho de muitas gerações, e tornar realidade a transposição do São Francisco. Uma das melhores lembranças que tenho é a da inauguração popular que fizemos em 2017, aí em Monteiro, com a presença da ex-presidenta Dilma, do ex-governador Ricardo Coutinho e de muitos de vocês que aí estão de novo, desta vez protestando e exigindo de volta aquela alegria que estão roubando de nós.

“Ver a criançada mergulhando, o povo dançando e bebendo daquela água que o sertanejo esperava desde a época do império, nada disso tem preço. Não há dinheiro no mundo que pague os abraços que naquele dia eu recebi de tanta gente molhada de suor do seu trabalho e encharcada das águas do São Francisco.” 

Foi esse compromisso com as causas do povo que caminhou ontem pelas ruas de Monteiro, a oferecer esperança a um povo de uma região carente de tudo, compromisso que os que lá estiveram demonstraram ter.

Ontem, as ruas de Monteiro deram seu recado a Bolsonaro: não destrua as obras da Transposição, pois um governo que age deliberadamente para impedir o direito ao acesso à água, sem que esteja amparado em razões justificadas, comete crime contra seu próprio povo.

O mais importante a ser extraído do ato de Monteiro é esse: os campos políticos estão mais do que nunca demarcados, e essas diferenças nunca foram tão claras, e o povo cada mais vez saberá distingui-las.

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