08/09/2019 - 11h04

João Azevedo jogou Waldson Sousa às feras; hoje protege o denunciado Nonato Bandeira

Por Flávio Lúcio

“Tenho uma preocupação muito grande para que o processo de julgamento aconteça seguindo os passos e dando o direito, acima de tudo, de defesa das pessoas. Temos, hoje, uma prática, de primeiro jogar na mídia o nome das pessoas e depois constatar que não tem nada a ver com o processo”

As palavras acima foram proferidas por João Azevedo durante visita à cidade de Marí, na última sexta (06/09).

Elas trazem um recado claríssimo: Nonato Bandeira, o secretário de Comunicação que dita os rumos políticos do governo, como em outros tempos já fez enquanto Luciano Agra foi prefeito de João Pessoa, é intocável.

Notem que, embora o discurso a favor do amplo direito de defesa e contrário à antecipação de julgamentos esteja corretíssimo − postura recorrente da imprensa bolsonarista que hoje apoia João Azevedo, − a defesa que o governador faz agora de Nonato está em descompassos com a que foi adotada quando outros assessores estiveram na mesma situação.

Como foi o caso de Waldson Sousa, que foi exposto sem dó nem piedade pelos mesmos jornalistas e meios de comunicação que hoje se calam − alguém advinha os motivos? − diante da acusação ao Secretário de Comunicação, que, desde os primeiros dias de governo, trama nas sombras o rompimento do atual com o ex-governador .

Waldson foi literalmente jogado às feras, sem que o governador desse qualquer declaração pública em defesa de alguém que, aparentemente, conhecia tão bem. João não foi só colega de secretariado de Waldson durante os oito anos em que Ricardo Coutinho foi governador. Walson foi também coordenador de sua campanha, em 2018.

Essa mesma imprensa que vergonhosamente se cala − alguém advinha os motivos? − diante da acusação ao secretário de comunicação, é a mesma que inventou queWaldson Sousa tinha sido alvo medida de busca e apreensão e teve sua residência invadida pela polícia em busca de provas. Tudo mentira.

Quatro meses depois, Waldson perdeu a função sem ter tido uma palavra sequer de apoio do governador, nem de agradecimento pelo trabalho desempenhado por Sousa na campanha que elegeu João Azevedo no primeiro turno.

Há uma diferença, entretanto, entre os casos de Waldson Sousa e Nonato Bandeira: quatro meses depois de ter pedido afastamento da estratégica Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão, da Waldson sequer foi denunciado. Já Nonato Bandeira…

Um governo comandado por pessoas como Nonato Bandeira e outros ex-companheiros de Ricardo Coutinho não pode resultar em boa coisa para uma política que tenha como horizontes os interesses mais genuínos da Paraíba.

O histórico de Nonato Bandeira para produzir intrigas torna qualquer gestão sujeita a divisões permanentes e insanáveis, a não ser por via de acomodações artificiais realizadas através do “poder da caneta” − como gosta de sugerir outro Nonato, o Guedes. e ainda mais ladeado por  gente que, não faz muito, apresentava uma disposição quase canina para defender o então líder, e que não só se mostra disposta a pular de barco, como a abandonar a trajetória ideológica de uma vida ao menor sinal de perigo de perder cargos no governo.

Vai agradar a alguns, por óbvio, como o tucano Ruy Carneiro, que abriu os braços da oposição oligárquica ao atual governador, impondo apenas uma única condição: romper com Ricardo Coutinho.

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