14/09/2019 - 12h59

Edvaldo Rosas disse a Carlos Siqueira que governador vetava Ricardo na presidência do PSB

Por Flávio Lúcio

Tomei conhecimento hoje de um fato gravíssimo, que pode explicar os estranhos movimentos que encaminharam a Paraíba a um crise política de grandes proporções, e os interesses que subjazem, ocultos, nesse emaranhado de acontecimentos inexplicáveis, que desaguam todos na disputa pela presidência do PSB.

Trata-se de um telefonema do presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, parabenizando Edvaldo Rosas logo após sua nomeação a uma das secretarias de governo atual. Após os parabéns, Siqueira fez um pedido mais que óbvio para Rosas: que ele “convencesse Ricardo a a assumir a presidência do PSB” na Paraíba.

A resposta de Edvaldo Rosas ao pedido deixou Carlos Siqueira sem fôlego: “O governador [João Azevedo] não quer”. 

A dúvida que persiste ainda hoje na cabeça do presidente nacional do PSB é se, durante esse telefonema, Edvaldo Rosas falava mesmo em nome do João Azevedo, ou se assumiu uma posição politicamente tão grave sem mesmo consultá-lo.

Se a primeira hipótese for a verdadeira, fica revelado o mistério que persistia até agora sobre a importância que foi dada, a ponto de ser transformada num cavalo de batalha, à manutenção de Edvaldo Rosas na presidência do PSB, ao mesmo tempo em que passaria a acumular, não tivesse ele sido destituído, a condição de Secretário de Estado de João Azevedo.

Considerando que o governador realmente não queria que Ricardo Coutinho assumisse a presidência do PSB, como disse Edvaldo a Carlos Siqueira, ficaria explicitada que a estratégia de João Azevedo era isolar o ex-governador dentro do PSB, para depois, usando as armas que o governo dispõe, assumir o controle partidário.

No caso da segunda hipótese ser a verdadeira – que as palavras de Edvaldo Rosas não representavam a opinião do governador sobre a possibilidade de Ricardo assumir a presidência do PSB no estado, – teremos aí a explicitação de um movimento organizado, por dentro do governo e à revelia de João Azevedo, com o objetivo de produzir um racha do atual com o ex-governador.

Há, portanto, muito mais caroço nesse angu das divergências entre João Azevedo e Ricardo Coutinho, divergências que foram artificialmente potencializadas através da imprensa bolsonarista em sintonia com o que acontecia na Assembleia Legislativa.

Diante de uma revelação gravíssima, qual das hipóteses acima é a verdadeira, João Azevedo?

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