18/09/2019 - 14h23

Presidência da Assembleia: Luís Torres também participou da traição a Hervázio Bezerra?

Por Flávio Lúcio

Sempre houve razões para desconfianças de que o deputado estadual Hervázio Bezerra, candidato a ocupar o cargo de presidente da Assembleia no segundo biênio da atual legislatura, foi traído por uma articulação que incluía integrantes do governo de João Azevedo.

No lugar de Hervázio, como se sabe, o eleito foi o hoje primeiro-ministro do governo, Adriano Galdino, que, com o apoio do G11 e de toda a bancada da oposição, também se elegeu para o segundo biênio .

A armação de Adriano Galdino foi digna de um óscar da dissimulação política. Ele deixou para anunciar a traição só após contados os votos da eleição para o primeiro biênio.

Quando começou o processe eleitoral para o segundo biênio, Galdino só esperou que a chapa da oposição anunciasse o apoio a sua candidatura para deixar Hervázio Bezerra e toda a bancada governista chupando o dedo.

Como todo político que não sabe honrar o mandato, nem preza pelo respeito dos eleitores e dos seus pares, Hervázio  preferiu afogar as mágoas longe da Assembleia, aceitando o prêmio de consolação da Secretaria de Esportes oferecido por João Azevedo.

Não demorou muito para Hervázio entender o jogo e se tornar um dos maiores críticos do ex-governador Ricardo Coutinho, que apoiou sua candidatura. Cada um escolhe o tamanho político que deseja ter.

João Azevedo fez beicinho depois da traição de Galdino, manifestou seus protestos, mas, como numa pensa mal ensaiada, logo deixou claro que precisava do apoio do presidente da Assembleia. E os dois fizeram as pazes.

E para não deixar dúvidas de que não restaram mágoas, convidou uma das lideranças do G11, o deputado João Gonçalves, para a secretaria de Articulação Política do governo.

Tudo muito estranho, não?

LUÍS TORRES PARTICIPOU DESSA TRAMA?

Pois bem. O jornalista Luís Torres ajudou a desvendar parte desse mistério.

Hoje, durante o programa que apresenta na Arapuã FM de João Pessoa, Torres fez uma revelação surpreendente sobre a eleição para a presidência da Assembleia: “A eleição de Adriano foi conduzida sem o apoio explícito e externo do ex-governador Ricardo Coutinho.”

Essa declaração seria óbvia se não escondesse o principal: Ricardo apoiou o acordo que foi feito na Granja Santana, acordo que foi respaldado por João Azevedo, com Adriano Galdino na Presidência da Assembleia para o primeiro biênio, e Hervázio Bezerra para o segundo.

Seguindo a linha do argumento de Luís Torres, João Azevedo também não apoiou (pelo menos publicamente) a candidatura de Galdino. Como Ricardo, o governador apoiou Hervázio Bezerra.

Essa declaração não parte de alguém que apenas especula sobre um fato. Luís Torres foi personagem dessa história, porque ocupava, à época, o cargo de Secretário de Comunicação de João Azevedo, e era um dos operadores políticos do governo.

Portanto, certamente fala com propriedade sobre esse fato recente ainda obscuro da política paraibana e o mais provável é que tenha participado dessa operação que entregou a Presidência da Assembleia a Adriano Galdino. Com o conhecimento do governador? Em breve saberemos.

Essas suspeitas são ainda mais reforçadas por conta de dois fatos.

1. Luis Tores indicou o atual Diretor de Comunicação da Assembleia, Marcos Weric, nomeado por Adriano Galdino.

2. Mirna Bezerra Barbosa assumiu uma das diretorias da Casa (a Diretoria de Divisão) seis dias depois (07/02) a traição de Adriano Galdino. Mirna é esposa de Luís Torres.

Esse quebra-cabeça aos poucos começa a ser montado. Mais uma peça foi colocada hoje no tabuleiro.

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