24/09/2019 - 08h47

Mesmo com PSB excluído de reunião, partidos do campo progressista defendem reaproximação entre JA e RC

Por Flávio Lúcio

Nove meses depois do início do governo, João Azevedo resolveu procurar os partidos progressistas que o apoiaram na última eleição: PT, PMN, Rede, PCdoB e PDT foram convidados por João Azevedo para uma reunião, que aconteceu no final da tarde dessa segunda (23) em um dos hotéis de João Pessoa.

Como você pode notar, João Azevedo só esqueceu de convidar para a reunião o representante do próprio partido, o PSB.

Das duas, uma: ou João Azevedo considera que o PSB não faz mais parte desse campo de centro-esquerda – ele próprio se considera desse campo, na medida em que mantém quadros como Nonato Bandeira e seu fiel escudeiro, Ronaldo Guerra, como os secretários mais influentes do atual governo? – ou a intenção é isolar o partido agora presidido por Ricardo Coutinho, ex-governador e principal responsável pela eleição de João Azevedo?

Trata-se, obviamente de uma contradição que põe em xeque o discurso que o governador tem feito até agora para tentar justificar um possível rompimento com Ricardo Coutinho e  uma eventual saída do PSB, como já foi largamente ventilado pela imprensa bolsonarista da Paraíba. Conselhos para que o governador saia e portas abertas de vários partidos não faltaram até agora.

Segundo o que foi divulgado até agora pela imprensa, as lideranças partidárias que participaram da eleição de João Azevedo e foram à reunião de ontem com o governador, jogaram água nessa fervura do rompimento.

Ao contrário disso, o que o governador escutou dos partidos aliados foi a defesa da manutenção da unidade desse campo, o que pressupõe, como é óbvio, a permanência de João Azevedo no PSB e uma reaproximação com Ricardo Coutinho.

“A exigência do PT é que esse campo permaneça unido firme e forte para as eleições de 2020”, reafirmou Jackson Macedo, presidente do PT, ao MaisPB.

Já está mais do que claro para o governador que não dá para ele ficar com os pés apoiados em duas canoas, o que não significa que ele não possa estabelecer relações administrativas com quem bem entender.

O que não faz o menor sentido é João Azevedo permanecer no PSB apenas para gerar tensão e divisão interna, que serão sempre potencializadas pela imprensa que deseja ardentemente que o governador rompa em definitivo com Ricardo Coutinho, saia do PSB e caia definitivamente nos braços das velhas oligarquias.

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