24/09/2019 - 21h26

PSB: A lista da discórdia ou da perseguição?

Por Flávio Lúcio

Ter conhecimento de quem assinou a carta-renuncia que gerou a destituição do Diretório Estadual do PSB pela Executiva Nacional é a nova obsessão dos tais “militantes históricos” do partido, aqueles que não pensaram duas vezes em se declarar alinhados ao também “militante histórico” e governador João Azevedo que, como se sabe, sempre foi um incansável lutador das causas mais legítimas da esquerda brasileira.

Pelo menos dois desses “militantes históricos” mencionaram a tal lista em suas cartas-renúncia como gancho para falarem em “golpe” e em ato “anti-democrático” – da maioria.

Até hoje eu não entendi o motivo pelo qual Ronaldo Barbosa e Rubens Freire só lembraram agora de que existia esse dispositivo no Estatuto do PSB e, depois de anos de filiação, nunca propuseram nenhuma mudança.

Na carta de Ronaldo Barbosa, o ex-presidente municipal do Diretório de João Pessoa pergunta: “Aonde [sic] está a relação dos que pediram renúncia do Diretório Regional?”

Na de Rubens Freire, o ex-vice-presidente também quer saber: “até hoje não sei o conteúdo da carta de renuncia coletiva nem quem renunciou” além de falar em “mínima averiguação” e falta de “corroboração da veracidade da lista dos renunciantes e de suas motivações”.

Por que esse interesse todo pelos nomes dos que assinaram a tal lista? Se a Direção Nacional do PSB atesta a veracidade e a legalidade do documento, qual o motivo para essa busca quase obsessiva pelo conhecimento dos assinantes? Identificar os aliados de Ricardo Coutinho para persegui-los? É isso?

A precaução da Direção Nacional do PSB se justifica, porque, segundo fui informado a pouco com print de mensagens, alguns membros do Diretório Municipal do PSB de João Pessoa estão sendo pressionados a renunciar, sob pena de perderem os cargos que ocupam no governo do estado. Perseguição aos próprio companheiros de partidos, os mesmos que, meses atrás, pediam votos para João Azevedo para assegurar a continuidade do projeto do PSB.

Portanto, e também dessa vez, as preocupações são outras quando os aliados de João Azevedo falam em ter acesso à lista dos que renunciaram aos cargos na direção do PSB. E não tem nada a ver com democracia nem com transparência. Quem assegura que, ao serem revelados esses nomes, os mesmos não perderão as eventuais posições que ocupam no governo estadual?

A motivação é menos virtuosa, e bem ajustada a esses novos-velhos tempos que ameaçam se estabelecer na Paraíba. E pensar que tudo isso tem um único objetivo: impedir que Ricardo Coutinho assuma a presidência do PSB na Paraíba.

Quem diria, não é mesmo?

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