28/09/2019 - 12h11

Demissão de Silene Marrocos expõe verdadeira face do governo João Azevedo?

Por Flávio Lúcio

A exoneração desmotivada de Silene Marrocos, irmã da vereadora de João Pessoa, Sandra Marrocos, é um desses casos que só podem ser explicados quando reconhecemos que começa a prevalecer o mais alto grau de indigência e mesquinharia políticas, e que o caminho da Paraíba para a volta de uma completa ausência de valores impessoais no trato da res pública começa a ser pavimentado.

Eu mesmo já fui vítima de um caso semelhante, quer dizer, a minha esposa foi vítima, quando foi demitida do governo do estado apenas por ser minha esposa.

Admitida no governo de Ronaldo Cunha Lima ainda como estagiária do curso de Serviço Social da UFPB na Creche Glauce Burity, ela foi transferida para a hoje Secretaria de Desenvolvimento Humano e lá atravessou, na mesma função, os governos de Cícero Lucena, José Maranhão, Roberto Paulino e o primeiro governo de Cássio Cunha Lima.

Ela foi exonerada sem nenhuma explicação no início de setembro de 2007, algumas semanas depois do então governador ter sido cassado pelo TRE da Paraíba.

Pois bem, Silene Marrocos pertencia aos quadros do Hospital de Emergência e Trauma Senador Humberto Lucena desde sua inauguração, em 2001. 18 anos depois e tendo passado por vários governos, não se pode dizer que Silene tenha ocupado essas posições simplesmente por ser irmã da vereadora do PSB pessoense.

E o mais provável, aliás, é que Sandra Marrocos sequer sonhasse em ser vereadora em 2001− ela se elegeu pela primeira vez em 2008 depois de ter sido coordenadora do Orçamento Participativo da PMJP, entre 2005 e 2008.

Por isso, a demissão de alguém como Silene Marrocos, sem levar em conta os 18 anos de trabalho à instituição que serviu com dedicação, é reveladora desse retrocesso, da volta de práticas que a Paraíba pensou terem sido abolidas.

PERSEGUIÇÃO A ANTIGOS COMPANHEIROS?

Esse é um lado da questão. O outro tem a ver com noções de companheirismo. Silene faz parte dos milhares de parceiros de uma longa caminhada que começou muito antes de Ricardo Coutinho ser prefeito ou governador. São essas pessoas que começam a ser deixados pela estrada, como Givanildo Pereira foi recentemente.

Por isso, é difícil acreditar que demissões como as de Givanildo e Silene tenham partido de orientação do governador João Azevedo. É mais fácil acreditar que essa é mais uma obra da cadeia de aloprados que cercam hoje o governador, gente que tenta se beneficiar estimulando o aprofundamento da crise interna no PSB porque, é assim que raciocinam, sobrarão mais espaços para serem ocupados quando, e se acontecer, o rompimento entre Ricardo Coutinho e João Azevedo.

É mais fácil aceitar essa hipótese, É mais fácil aceitar que essa corriola de gente mal intencionada, que orienta a perseguição como arma da disputa política, com o uso da máquina do Estado para ingerência nas questões internas do PSB.

Do contrário, se for o próprio João Azevedo a fonte de toda essa caçada, que usa o governo do estado para perseguir pessoas como Silene Marrocos e Givanildo, temos aí explicitada a verdadeira face do atual governador, e fica exposta a natureza do governo que ele pretende estabelecer na Paraíba.

João Azevedo não foi apenas escolhido candidato para dar continuidade ao governo de Ricardo Coutinho. Foi mais do que isso. João foi escolhido para representar um projeto político e administrativo que só foi vitorioso por conta da existência de milhares de pessoas, como Silene e Givanildo, que se mataram de trabalhar. E sem ganhar nada. É esse tipo de militância, comprometida administrativa e politicamente, que é atacada. E muitas dessas pessoas fazem parte dessa construção, repito, antes de Ricardo Coutinho governar João Pessoa ou a Paraíba.

Essa perseguição fere de morte a ética do projeto fundada desde sempre no companheirismo e na unidade em torno de objetivos comuns. Fere de morte a construção histórica que tornou o PSB o maior partido da Paraíba, obra de milhares de pessoas como Silene e Givanildo.

Se João Azevedo ou seus aloprados pensam que liderança se impõe pelo terror, pela ameaça de demissões e perseguições, quem quer que pense isso, está redondamente enganado.

Liderança se conquista pelo exemplo e pelo companheirismo, porque liderança não nasce de um hora para outra, é sempre uma construção, às vezes de uma vida inteira.

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