01/10/2019 - 12h59

Na Paraíba, além de ser dedo-duro, tem jornalista que não se envergonha de pedir cabeças

Por Flávio Lúcio

Nos últimos anos, o jornalismo “investigativo” de nossa imprensa se resumiu em divulgar vazamentos ilegais de trechos selecionados de delações premiadas, sem se preocupar, na maior parte das vezes, em checar a veracidade do que diziam delatores em busca de benefícios financeiros e penais.

Foi assim que o circo dos horrores da Operação Lava Jato foi armado, com o auxílio inestimável dos grandes meios de comunicação e de muitos jornalistas.

Na Paraíba, parte do nosso jornalismo parece que perdeu por completo o pudor, demonstrando não ter também qualquer limite moral para sua cobertura.

No afã de participarem, eles também, da divisão de uma fatia maior numa presumível divisão do bolo de cargos, uma banda do jornalismo paraibano passou a se comportar como se estivesse metido numa Cruzada, ou melhor, numa Inquisição – e é deles o papel de dedurar os infiéis aos Santo Ofício.

Até mesmo os adversários do PSB na política manifestam algum pudor e evitam se meter nas questões internas do partido.

Para muitos jornalistas, é o contrário. Adversários do PSB e do próprio governador até bem pouco, eles não apenas se metem, como vergonhosamente fazem campanha aberta por uma caça às bruxas dos possíveis aliados de Ricardo Coutinho no atual governo.

E qual o maior dos pecados cometidos apontados pelos inquisidores? Serem “ricardistas”. Esquecem propositadamente que todos/as deram sua contribuição ao projeto vitorioso que governou a Paraíba, tanto quanto deu o atual governador. João Azevedo não ganhou de presente o governo da Paraíba.

Segundo o “jornalista” Anderson Soares, antigo apoiador de Luciano Cartaxo na imprensa: “Depois do gesto dado pelos auxiliares de João ao ex-governador Ricardo Coutinho, não há clima para permanência dos ‘Ricardistas’ declarados no governo. Nas últimas horas aumentaram a pressão para exoneração dos aliados do ex-governador.”

Com o sugestivo título “Dormindo com o inimigo”, o blog Tá na Área registra: “governador João Azevêdo parece não contar com muitos auxiliares fiéis aos seus comandos, isso a julgar pelos nomes só agora divulgados dos diretorianos que assinalaram uma lista que deu vazão a intervenção promovida pelo PSB nacional, a pedido do ex-governador Ricardo Coutinho.”

Por isso, a cobrança quase obsessiva pela tal lista da renúncia que dissolveu o Diretório Regional do PSB. Como eu suspeitava (acesse pelo link abaixo), a preocupação com a lista do PSB nunca teve “nada a ver com democracia nem com transparência” (…) “A motivação é menos virtuosa, e bem ajustada a esses novos-velhos tempos que ameaçam se estabelecer na Paraíba.”

Como a Rainha de Copas, o que eles querem é ver as cabeças de antigos aliados rolando no chão sujo das expectativas de um jornalismo que morreu faz tempo.

PSB: A lista da discórdia ou da perseguição?

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