06/10/2019 - 08h41

João Azevedo, o engenheiro de obra pronta: agora foi a vez do Caravana do Coração 

Por Flávio Lúcio

É sempre chato tratar de paternidade de obra pública, afinal elas são isso mesmo, públicas, do público que as financia e para quem são construídas e implementadas.

Mas, cada uma delas tem uma história. Elas não nascem prontas.

Toda obra ou politica pública nasce de uma decisão política.

Apesar de primeiro serem pensadas a partir de um diagnóstico, que identifica sua necessidade e o impacto na vida das pessoas, de onde nasce um projeto, que, entre tantas outras coisas, estabelece o quanto de dinheiro público será investido, é a decisão política de tirá-las do papel que as torna realidade.

Uma dessas políticas públicas atende hoje pelo nome de Rede Cuidar, e o acompanhamento de uma equipe de filmagens durante a execução do programa resultou no documentário “Corações Paraibanos”, do diretor Ricardo Puppe“Corações Paraibanos” venceu a VI Mostra VideoSaúde, da Fiocruz, na categoria júri popular.

O governador João Azevedo comemorou pelo Twitter o prêmio. Tanto a postagem na rede social do governador como a matéria publicada na página do Governo da Paraíba dão a entender que o Rede Cuidar nasceu pronto e acabado, em 2019. Não há nenhuma menção à história do programa.

QUAL É A HISTÓRIA DO REDE CUIDAR?

A Rede Cuidar foi criada no primeiro ano do governo de Ricardo Coutinho, em 2011, com um nome mais singelo: Caravana do Coração.

A ideia é simples, mas poderosa. Uma equipe de voluntários percorre municípios paraibanos para oferecer diagnósticos e atendimentos a crianças com cardiopatia, mulheres com gravidez de alto risco e crianças com microcefalia.

De 2011 até 2018, 6.741 pacientes haviam sido atendidos, sendo três mil crianças identificadas com cardiopatias. Além de prestarem atendimentos à população, os 330 profissionais envolvidos haviam promovido no período 2.418 capacitações para profissionais de saúde locais.

Em 2018, por exemplo, nos 13 dias em que a Caravana foi a 14 municípios-pólo paraibanos, o programa contou com 120 profissionais entre médicos/as cardiologistas e pediatras, enfermeiros/as, fisioterapeutas, psicólogos, nutricionistas, fonoaudiólogos e dentistas, e fez 16 mil atendimentos a duas mil pessoas.

Não há críticas a fazer ao fato do atual governador dar continuidade às obras do governo de Ricardo Coutinho, afinal ele foi eleito por conta disse e dizendo que faria isso. Só acho meio vergonho e, desculpe o trocadilho involuntário, João Azevedo agir como engenheiro de obra pronta. 

Ele terá quatro anos para mostrar para que veio. Por enquanto, o que João Azevedo tem feito foi inaugurar as obras que encontrou em execução e com recursos em caixa para conclui-las.

E mudar nome de política pública.

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