04/11/2019 - 19h42

Em Itabaiana, João Azevedo critica Ricardo e diz que todas as suas conquistas foram devido ao seu “esforço individual”

Por Flávio Lúcio

O ato político que inaugurou a pavimentação da rodovia que liga Pilar a Itabaiana não saiu como o governador João Azevedo esperava, mas pelo menos ele exercitou sua mira injusta naquele que virou seu alvo preferido: Ricardo Coutinho.

No discurso, visivelmente nervoso, o governador disse que dá continuidade a “um grande projeto” que ele ajudou a construir “desde 2005”. E apesar do apelo ao trabalho coletivo, num claro ato falho, João Azevedo afirmou que todas as suas conquistas são resultado do seu “esforço individual”:

“Em cada caminho que eu tracei na minha vida, em cada espaço conquistado, foi pelo esforço individual”, disse João Azevedo, sem explicar como alcançou o milagre de, mesmo sendo um ilustre desconhecido, conseguir se eleger governador sem nunca ter disputado uma única eleição.

Sem citar o nome do ex-governador, João Azevedo quase não tirou o nome de Ricardo Coutinho da cabeça. Envergonhado por tentar se apropriar da obra do antecessor sem citar seu nome ou convidá-lo para uma única inauguração, enquanto para estas convida até ex-adversários políticos, o atual governador resolveu falar a obviedade de que as obras “pertencem ao povo”.

Claro que sim, mas não é isso que está em debate. O que se discute é a atitude de João Azevedo, que mistura deslealdade e ingratidão com quem sacrificou uma eleição certa para o Senado para ajudar a elegê-lo governador, e agora se vê abandonado à própria sorte, enquanto antigos adversários o aplaudem, esperando a hora de entrarem para o governo.

E com todo o poder que dispõe hoje, ainda tenta posar de vítima. Vejam essa:

“Eu não posso admitir de forma nenhuma que inverdades sejam colocadas na mídia por alguns grupozinhos, pequenos grupos, que tentam efetivamente enganar a população.”

Logo ele, que controla, através da Secretaria de Comunicação, quase 100% da mídia paraibana, inclusive financiando com dinheiro público blogs que existem quase que exclusivamente para atacar o ex-governador Ricardo Coutinho e seus aliados.

VAIAS

Com a imensa calda de pavão vaidoso armada, João Azevedo volta a repetir que essa é uma “disputa pequena” e que não vai perder tempo com ela, mas dispensou quase todo o tempo do discurso para atacar Ricardo Coutinho

“No meu governo não tem eu faço, eu mando, eu determino. No meu governo, nós fazemos, nós projetamos, nós determinamos que as coisas aconteçam. Porque é um governo de coletividade.

E que coletividade! Uma verdadeira Arca de Noé que, brevemente, promete ter dentro até o Julian Lemos, e que hoje é virtualmente comandado por pérolas da nossa política como Adriano Galdino, Wilson Santiago (pai e filho), João Gonçalves e tantos outros.

Enquanto se esforçava por explicar à população presente o inexplicável – por que aquela peroração arrogante contra Ricardo Coutinho quando, faz um ano apenas, o ex-governador pedia votos exaltando as qualidades do desconhecido João Azevedo? – o governador escuta vaias, e, visivelmente irritado, reage:

“Eu aprendi na minha vida, também, é que a gente deve estar sempre em ambiente que nos faça bem. Eu pelo menos sou assim. Toda vez que estou num lugar que não me sinto bem, eu me retiro. Se alguém não está se sentindo bem aqui, por favor, venhamos e convenhamos! Isso é uma celebração!”

Ainda sobrou tempo para João Azevedo lembrar de outra obsessão, Gervásio Maia. Azevedo voltou a insinuar que o deputado federal do seu partido foi o único a não recebê-lo em Brasília, o que, como já ficou demonstrado, é mentira.

No final do discurso, o governador justifica porque abandonou Ricardo Coutinho e pretende governar com a oposição:

“Quando a gente tem uma carga muito grande para carregar, só tem uma forma de fazer: é chamar muita gente pra carregar junto a gente.”

Esforço eu sei que essa turma não vai fazer, mas que a conta vai chegar para os cofres públicos da Paraíba, isso todo mundo pode ter certeza.

Abaixo, você pode conferir o discurso de João Azevedo na íntegra,

Comentários