07/11/2019 - 12h23

E agora, Bolsonaro? Vazamento pode ter origem nos campos do Pré-sal, no sul da Bahia

Por Flávio Lúcio

Essa questão do vazamento de petróleo pelo jeito não está resolvida. Tem caroço grande nesse angu, e o tamanho desse caroço pode explicar a lentidão do governo federal em dar explicações sobre esse grave crime ambiental, que pode provocar danos incalculáveis ao bioma Marinho Costeiro do Nordeste, afetando a biodiversidade dos recifes de corais, restingas, estuários de rios e manguezais.

O Laboratório de Análise e Processamento de Imagens de Satélites (Lapis), Universidade Federal de Alagoas (UFAL)  contesta a versão de que a mancha foi provocada pelo descarte de óleo do navio-tanque grego Bouboulina (clique aqui.)

O navio grego só navegou pelo local em que a Marinha afirma ter acontecido o descarte no dia 24 de julho, mas as primeiras manchas de óleo só foram detectadas nas proximidades cinco dias depois, no dia 29.

A partir de imagens de satélite da a Agência Espacial Europeia (ESA), o pesquisador do Lapis, Humberto Barbosa, descartou a hipótese abraçada pelo governo e sustenta que o vazamento pode ter origem abaixo da superfície do mar, em áreas de exploração do Pré-sal, no sul da Bahia.

Como as imagens analisadas até o dia 28 de outubro eram de manchas de petróleo menores, provavelmente fragmentadas, não era possível identificar um padrão de vazamento.

No dia 28 de outubro, entretanto, o pesquisador Humberto Barbosa encontrou uma imagem que apresentava um padrão de mancha do vazamento diferente dos anteriores, e sua compactação poderia indicar que era recente. A imagem de satélite abaixo mostra uma gigantesca mancha com 55 km de extensão e 6 km de largura, a 54 km da costa Sul da Bahia.

Mancha de óleo com com 55 km de extensão e 6 km de largura, a uma distância de 54 km da Costa do Nordeste.

O pesquisador então compara com o mapa da mesma região indicando o polígono do Pré-sal.

Essa hipótese tem um suporte bastante sólido, portanto. Se ela se comprovar, o mistério passa a ser o que provocou o vazamento, em qual área do Pré-sal, e qual empresa opera a extração do óleo.

Tudo isso pode explicar a postura irresponsável do governo federal, que até agora parece ter sido de encobrir os verdadeiros responsáveis: primeiro, responsabilizando o governo venezuelano, agora um navio-petroleiro grego. Se a responsabilidade recair sobre uma grande petroleira estrangeira, é colocado em xeque o modelo de privatizar o Pré-sal, ao invés de deixar sua exploração nas mão de Petrobras, uma empresa que descobriu essas reservas e desenvolveu a técnica de extração, até agora feita com segurança.

Em 26 de outubro, essa hipótese levantada em vídeo (veja abaixo), mas poucos deram crédito, e tratada até como fake news pelo jornalista Luís Nassif.

Imagine se algo de tamanha gravidade tivesse ocorrido nos Estado Unidos ou em algum país europeu. Mais de dois meses depois, esses países ainda estariam em busca de respostas?

A hipótese de

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