07/11/2019 - 05h43

O G11 vai para o tudo ou nada contra João Azevedo?

Por Flávio Lúcio

O G11 é um grupo de deputados estaduais de vários partidos – do PT ao Dem, – que, por óbvio,  não têm nenhuma identidade ideológica ou programática.

Essa pergunta pode parecer estranha e fora do lugar: se não foi em torno de ideais ou projetos, para quê então esse grupo de deputados resolveu se juntar?

Imaginava-se inicialmente que a intenção da formação do grupo era contrabalançar o peso adquirido pela bancada do PSB na Assembleia, mas a atuação desses deputados na eleição para a mesa logo deu mostras que os objetivos deles eram mais ambiciosos.

Com a eleição do membro informal e verdadeiro chefe do G11, Adriano Galdino, para a presidência da ALPB para os próximos dois biênios, começou a ficar claro que esses deputados almejavam ocupar os espaços que seriam deixados quando finalmente acontecesse o tão esperado e estimulado rompimento entre o atual governador, João Azevedo, e o ex, Ricardo Coutinho.

Sem experiência política, sem liderança na sociedade e um governo ainda sem marca nem identidade, João Azevedo se torna cada mais dependente de apoio político dos grupos que dominam a Assembleia.

Não é por acaso que a “oposição” submergiu, paralisada à espera da consumação do racha definitivo, porque até a oposição bolsonarista parece ter expectativas de ter espaço num governo que promete ser, como não poderia ser diferente, no essencial, de descontinuidade.

Pois bem, sem Ricardo por perto, João Azevedo foi aos poucos se tornando prisioneiro da estratégia capitaneada pelo G11, estratégia que parece ser endossada por gente muito próxima ao governador, que jogam em ritmo sincronizado dentro e fora do Palácio da Redenção.

E como João Azevedo parece resistir, indeciso ou receoso, em dar o passo definitivo, o G11 parece ter percebido isso é resolveu não esperar mais.

OU ATA OU DESATA

O ato do deputado estadual João Bosco Carneiro, hoje, de entregar formalmente, em documento convenientemente vazado para a impensa, só pode ser interpretado como parte de um grande teatro de pressões que visa forçar João Azevedo a dar o passo definitivo em direção ao abismo, ou seja, ao rompimento definitivo com Ricardo Coutinho

Um documento incomum: deputado entrega cargos por escrito

Sim, porque, convenhamos, o G11 não foi formado para que seus deputados perdessem influência no atual governo, mas o contrário.

Notem que alguns fatos que antecederam a iniciativa de João Bosco Carneiro parecem demonstrar que o governador não parece disposto a promover grandes alterações em seu governo.

Em Itabaiana, na última sexta, João Azevedo falou  que não pretende demitir quem o apoiou na última  eleição. Já durante a semana atual, disse estar satisfeito com 99% dos seu secretariado.

Essa foi a senha para a oposição na Assembleia começar a mostrar suas unhas e os neo-conselheiros de João Azevedo na imprensa começarem a demostrar o incômodo com a situação.

Ontem, por exemplo, em uma postagem onde ataca o atual secretário responsável pela articulação política do governo João Azevedo, o anti-ricardista Thiago Moraes inseriu em seu blog o enigmático  trecho:

“Pelo andar da carruagem, com essa desarticulação e a Calvário, será que esse governo come o peru de natal? Eis a questão!”

A ameaça nunca foi tão clara.

Vamos esperar para saber se João Azevedo vai pagar pra ver, e se e o movimento de João Bosco Carneiro vai ser seguido por seus colegas, como o G11 já insinuou fazer por diversas vezes.

Vamos esperar os próximos acontecimentos dessa trama que está em curso. Ou o governador mostra que não está disposto a ceder à pressão de um grupo de deputados que negocia com a faca em seu pescoço.

Caso contrário, ele já terá perdido essa luta. E seu governo.

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