26/11/2019 - 11h56

Veneziano voltou a ser a figura pálida e decadente que foi até 2016

Por Flávio Lúcio

Em entrevista ao Frente à Frente, da TV Arapuã, apresentado pelo jornalista Luís Torres, o senador Veneziano Vital do Rego, hoje no PSB, tornou público um convescote familiar com a esposa, Ana Cláudia Vital do Rego, que é a dona do Podemos aqui na Paraíba.

Segundo o ex-cabeludo, a presidente nacional do Podemos, Renata Abreu, convidou o governador João Azevedo a se filiar ao partido e o convidou para filiação ao lado da esposa de Veneziano, a secretária de Estado, Ana Cláudia. Vital do Rego.

Ana Cláudia e Veneziano devem se sentir em casa no Podemos, que é o antigo PTN (Partido Trabalhista Nacional), um dos tantos partidos familiares que existem no Brasil. O Podemos pertence à família Abreu desde que foi fundado em 1995 por José Masci de Abreu, pai de Renata.

É bom lembrar que não faz um ano que Veneziano assumiu o mandato de Senador pelo PSB e, mesmo se dizendo “confortável” e em concordância com a “linha ideológica” do PSB, o caçula da família Vital do Rego deve acompanhar João Azevedo ao partido que o governador escolher.

Veneziano acabou de rejuvenescer, mas já envelheceu

Veneziano Vital do Rego viveu o período de maior brilho de sua carreira, quando conseguiu o feito de derrotar os Cunha Lima na eleição de 2004 para a prefeitura de Campina Grande, a cidade que, até então, era a fortaleza inexpugnável da família.

Ao final de uma gestão problemática, entretanto, e então cabeludo foi derrotado na eleição de 2012 para o atual prefeito de Campina, Romero Rodrigues. À época, Veneziano pertencia aos quadro do PMDB e lançou-se na disputa a governo da Paraíba em 2014.

Quando viu que não teria chances, abriu mão da candidatura para o irmão, o então senador Vital do Rego Filho, e assumiu o lugar da mãe, D. Nilda Godim, que era deputada federal e candidata à reeleição da família. Todos pertenciam ao PMDB velho de guerra, inclusive a esposa de Veneziano, Ana Cláudia Vital do Rego.

Veneziano fez um mandato de deputado federal alinhado ao movimento golpista encabeçado pelo PMDB, o partido do então presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, e do vice-presidente, Michel Temer. Votou em Eduardo Cunha para a presidência da Câmara e a favor do impeachment que derrubou a ex-presidente Dilma Rousseff.

Veneziano em reunião de apoio à candidatura de Eduardo Cunha à presidência da Câmara

O desgaste de Veneziano se explicitou quando ele novamente disputou a eleição para prefeito de Campina Grande, em 2016, e obteve menos de 25% dos votos válidos.

Ou seja, em 2016, Veneziano Vital do Rego já era uma figura pálida e decadente da política paraibana. Até receber o convite do ex-governador Ricardo Coutinho para entrar no PSB, e alterar a orientação de sua atuação política no Congresso.

Mesmo quando fez isso, não fez de corpo inteiro. Primeiro, em termos partidário, a família não o acompanhou quando ele se filiou ao PSB. A esposa, Ana Cláudia, filiou-se ao Podemos, o que já mostrava o traço de caciquismo familiar do ex-cabeludo. Segundo, lançou a esposa candidata a deputada federal. Derrotada, indicou-a para o secretariado de João Azevedo.

Episódios como o que se desenrola hoje no PSB paraibano tem sua importância porque permitem revelar o verdadeiro caráter de indivíduos, tenham eles cargos ou não. Veneziano é um que se revela por inteiro. Sem muitas surpresas, diga-se, sua posições atuais apenas revelam o que ele sempre foi: um político de ocasião, que se move em função dos interesses familiares e circunstâncias e, por isso mesmo, que não dá a menor importância ao debate de ideias e ao programa que defende.

Como outros, perde a chance que a história lhe ofereceu. Surpresa mesmo seria se Veneziano soubesse aproveitá-la.

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