28/11/2019 - 11h36

As “maquiavélicas traições” de João Azevedo

Por Flávio Lúcio

João Azevedo é apoiado por bolsonaristas, várias bolsonaristas compõem o grupo mais próximo ao governador, a imprensa bolsonarista que usa os mesmos métodos do bolsonarismo o apoia, mas o governador se incomoda quando se diz que, entre os motivos para seu rompimento com Ricardo Coutinho, está a intenção de se aproximar de Jair Bolsonaro e de seu governo.

Talvez isso comece a mudar porque a Paraíba só agora começou a conhecer quem é João Azevedo de fato, e certamente vai conhecê-lo cada vez mais daqui para frente.

Tudo isso parece dar razão ao adágio popular segundo o qual, para se conhecer o caráter de alguém, é só dar-lhe poder. Quando refletimos sobre a questão “governar para quê e para quem?” isso é absolutamente verdadeiro. A proposta de João Azevedo para o orçamento de 2020, por exemplo, é bastante pedagógica nesse sentido e diz muito sobre quais serão as prioridades do seu governo, ou seja, para quê e para quem ele vai governar.

No caso do adágio empregado acima, a intenção é desvelar as mudanças de ordem moral que o exercício do poder provoca no comportamento de quem o exerce. Quem era afável, torna-se truculento; quem se mostrava leal, vira de repente uma hiena traiçoeira; quem parecia defender o povo, no governo mostra-se um adepto dos interesses dos mais ricos e poderosos; quem parecia ser progressista, mostra-se um oportunista de direita.

Um dos traços do perfil político e ideológico de João Azevedo que agora se revela, e que, ao que parece, foi dissimulado com alguma competência, é seu inequívoco conservadorismo político e ideológico, escondido por muito tempo sob o manto de um pragmatismo oportunista comum nesse tipo de agente, normalmente pouco afeito ao debate de ideias.

“Sou técnico, não sou político”, eis o discurso que ele repetia sempre que confrontado com questões que pudessem revelar suas visões de mundo. Ele estava metido até o pescoço na política, tomando a toda hora decisões políticas, exercendo cargos de confiança, mas se colocava acima ou ao lado da política. Tentou ser candidato a prefeito de João Pessoa, em 2016, sem ser político; foi candidato a governador e continuava sendo o “técnico”.

Uma das características do comportamento público de João Azevedo que sempre me incomodaram foi sua maneira insípida, inodora, chucuzesca de expressar uma opinião política, mesmo sobre um fato relevante. Quando isso acontecia, dali não se extraía absolutamente nada de consistente e que pudesse indicar uma penugem ideológica que fosse.

Yuri Lobato: “maquiavélicas traições”

Mas, o escrutínio do perfil e da trajetória de João Azevedo nós deixaremos para em breve fazermos aqui. Por ora, deixemos hoje que os que conheceram o atual governador mais de perto falem sobre ele, agora que foi revelada sua verdadeira face.

Yuri Simpson Lobato foi também exonerado por João Azevedo da PBPrev – para o lugar dele, o governador nomeou um aliado do vice-prefeito de João Pessoa, Manoel Jr.

Lobato esclareceu em nota alguns pontos depois que João Azevedo assumiu o governo.

Primeiro, nesse quase 11 meses em que ficou no cargo no atual governo, Yuri nunca conseguiu uma audiência com o governador, o que demonstra a clara má-vontade com os aliados de Ricardo Coutinho no governo. Isso em ano em que a Reforma da Previdência foi debatida e aprovada no Congresso.

“Inconcebível é, pedir audiência com o governador, ressaltando ser a primeira para tratar individualmente sobre previdência e não conseguir agenda, principalmente num momento delicado da Reforma da Previdência, onde somos contrário em penalizar apenas a classe trabalhadora em detrimento do sistema financeiro, o que por via de consequência não solucionará o problema do déficit financeiro e atuarial do Estado,” registou Yuri em nota à imprensa.

Outro ponto importante que chama a atenção na nota do ex-presidente da PBPrev foi a maneira traiçoeira e desleal como os assessores ligados ao ex-governador Ricardo Coutinho foram tratados pela imprensa bancada pela Secom, com insinuações de que não trabalhavam: “deparo-me com notícias veiculadas pela imprensa, dando conta da minha ausência/omissão na PBPREV”, disse ele.

Os resultados obtidos por Iury Lobato à frente da PBPrev respondem por sim a essas fake news: “Encontramos muito a ser feito e muito fizemos, como, por exemplo, a redução vertiginosa do custeio, a taxa de administração e aumento considerável no tempo de análise e resolução dos processos (22.956 até a presente data). Atingimos recordes com a redução de custeios ano após ano da gestão, e com o importante Certificado de Regularidade Previdenciária em dia.”

No final, Iury Lobato chama o ato de João Azevedo pelo nome: traição. “A bem da verdade, este governo tenta encobrir a verdadeira traição ao projeto implementado no Estado por Ricardo Coutinho, propagando inverdades sobre a performance de órgãos importantes, como no caso a PBPREV.”

Eis abaixo a nota na íntegra.

NOTA

Em Janeiro de 2015 aceitei o convite do então Governador Ricardo Coutinho para dirigir os destinos da Paraíba Previdência – PBPREV, num momento extremamente delicado vivido por aquela autarquia. Encontramos muito a ser feito e muito fizemos, como, por exemplo, a redução vertiginosa do custeio, a taxa de administração e aumento considerável no tempo de análise e resolução dos processos (22.956 até a presente data). Atingimos recordes com a redução de custeios ano após ano da gestão, e com o importante Certificado de Regularidade Previdenciária em dia.

Diante das maquiavélicas traições existentes no meio político, onde não fui o primeiro e nem tampouco serei o último a sentir seus dissabores, deparo-me com notícias veiculadas pela imprensa, dando conta da minha ausência/omissão na PBPREV. No entanto, os números dizem o contrário, fizemos sim, uma gestão exitosa e de fácil constatação.

A bem da verdade, este governo tenta encobrir a verdadeira traição ao projeto implementado no Estado por Ricardo Coutinho, propagando inverdades sobre a performance de órgãos importantes, como no caso a PBPREV.

Saio com a certeza do dever cumprido e de alma aliviada, pois estava sentido, cada vez mais forte, que esse governo não é o governo que lutamos para eleger.

Yuri Simpson Lobato

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